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  • André Luzardo 17 de October de 2013, às 13:53 Permalink | Responder
    Etiquetas: Alexander Moreira de Almeida, espiritismo, filosofia da mente, pseudociência   

    Mente, cérebro … e alma 

    O espi­ri­tismo é uma reli­gião dife­rente das outras por sus­ten­tar, desde sua fun­da­ção, que suas ale­ga­ções podem ser con­fir­ma­das cien­ti­fi­ca­mente. Mas, como em todas as outras reli­giões, o fato que estas ale­ga­ções são repe­ti­da­mente des­pro­va­das não abala em nada a fé dos seus segui­do­res. Eles sim­ples­mente fazem novas ale­ga­ções ou dis­tor­cem a rea­li­dade para que  se encaixe nas suas cren­ças. Esse pro­cesso inter­mi­ná­vel de auto-confirmação even­tu­al­mente pro­duz dis­tor­ções tão sofis­ti­ca­das que che­gam a ser inte­res­san­tes. Um bom exem­plo é Ale­xan­der Moreira de Almeida.

    mat-josefa-peixotinho

    Demons­tra­ção da exis­tên­cia de espí­ri­tos. Farsa cômica, foi endos­sada pelo líder espí­rita Chico Xavier. A pró­pria médium envol­vida aca­bou con­fes­sando mas a crença no espi­ri­tismo segue forte, agora tam­bém no sofis­ti­cado mundo acadêmico.

    Pro­fes­sor de Psi­qui­a­tria na Uni­ver­si­dade Fede­ral de Juíz de Fora, apresenta-se como um inves­ti­ga­dor impar­cial e desin­te­res­sado. Até o nome do seu grupo, o Núcleo de Pes­quisa em Espi­ri­tu­a­li­dade e Saúde, parece ino­cente o sufi­ci­ente — espi­ri­tu­a­li­dade não tem neces­sa­ri­a­mente cono­ta­ção reli­gi­osa. Porém seus tópi­cos pre­fe­ri­dos são quase sem­pre temas vin­cu­la­dos ao espi­ri­tismo. Suas inves­ti­ga­ções (a mai­o­ria publ­li­ca­das na Revista de Psi­qui­a­tria Clí­nica onde ele tam­bém faz parte do corpo edi­to­rial) apre­sen­tam uma con­ve­ni­ente ten­dên­cia em favor das ale­ga­ções espíritas. Em 2012, um de seus estu­dos con­se­guiu atrair a aten­ção da blo­gos­fera cética inter­na­ci­o­nal, por suge­rir que as ima­gens cere­brais de médiuns durante psi­co­gra­fia eram con­sis­ten­tes com a hipó­tese de que eles real­mente esta­vam cana­li­zando espíritos.

    Eu pode­ria dis­cor­rer sobre a ques­ti­o­ná­vel pre­sença desta tão evi­dente pro­pa­ganda pró-religiosa em uma uni­ver­si­dade fede­ral e o con­se­quente des­per­dí­cio de dinheiro público, mas não vou. Ao invés disso, veja­mos este belo e sofis­ti­cado exem­plo de sua capa­ci­dade de distorção.

    Pro­fe­rida durante um encon­tro da Asso­ci­a­ção Médico-Espírita de São Paulo, uma orga­ni­za­ção que tem como obje­tivo promover

    […] estu­dos e pes­qui­sas que com­pro­vem o Para­digma Espí­rita – entre outros prin­cí­pios, a sobre­vi­vên­cia da alma, a comu­ni­ca­bi­li­dade entre espí­ri­tos, a reen­car­na­ção, a cons­ti­tui­ção do ser humano em corpo físico, cor­pos sutis e espí­rito – demons­trando sua con­tri­bui­ção para o pro­gresso da Ciên­cia e da Medi­cina como um todo, dada a impor­tân­cia de que se reves­tem, evi­den­ci­ando o cará­ter bio-psico-sócio-espiritual de cada individualidade.

    A pales­tra con­densa tan­tas dis­tor­ções que leva­ria até minha ter­ceira encar­na­ção para des­fa­zer. Veja­mos só os pri­mei­ros 7 minutos. Tudo começa com Ale­xan­der anun­ci­ando que irá falar sobre as bar­rei­ras ao avanço das pes­qui­sas em espi­ri­tu­a­li­dade. Segundo ele, a pri­meira des­tas bar­rei­ras é o “cien­ti­fi­cismo mate­ri­a­lista”, isto é, a ideia de que “o uni­verso é com­posto ape­nas de maté­ria”, “que toda e qual­quer expli­ca­ção deve neces­sa­ri­a­mente ser redu­zida a aspec­tos mate­ri­ais” e que “a ciên­cia demons­trou que só existe maté­ria no uni­verso”. Outro grande equí­voco, segundo ele, é afir­mar que “é um fato cien­tí­fico que o cére­bro gera a mente, a neu­ro­ci­ên­cia prova que o cére­bro gera a mente, que é o cére­bro que decide”. Ele dedica os pró­xi­mos minu­tos a expli­car que, ape­sar da grande pre­va­lên­cia des­tas ideias entre cien­tis­tas e pro­fis­si­o­nais da saúde, elas são ape­nas pres­su­pos­tos meta­fí­si­cos e não resul­ta­dos apoi­a­dos em evi­dên­cias, e que é por­tanto per­fei­ta­mente válido basear-se em pres­su­pos­tos dife­ren­tes (ex. existe algo além de maté­ria no uni­verso, mente e cons­ci­ên­cia são imateriais/espirituais) e ver até onde eles nos levam.

    Caso não seja ime­di­a­ta­mente óbvio que esta não é uma des­cri­ção justa do con­senso cien­tí­fico atual, será neces­sá­rio fazer­mos um pequeno detour pelo estra­nho porém fas­ci­nante campo da filo­so­fia da mente. Grande parte da opi­nião popu­lar sobre mente e cére­bro é herança das ideias de René Descartes:

    No século XVII, Des­car­tes e Gali­leu fize­ram uma dis­tin­ção pre­cisa entre a rea­li­dade física des­crita pela ciên­cia e a rea­li­dade men­tal da alma, con­si­de­rada por eles como estando fora do escopo da pes­quisa cien­tí­fica. Este dua­lismo entre a mente cons­ci­ente e a maté­ria incons­ci­ente foi útil para a pes­quisa cien­tí­fica da época, até por­que aju­dou a afas­tar a auto­ri­dade dos reli­gi­o­sos sobre os cien­tis­tas e por­que o mundo físico pode­ria ser mate­ma­ti­ca­mente tra­tado de uma forma na qual a mente não pare­cia se pres­tar (Searle, 1998).

    Des­car­tes acre­di­tava que o corpo (incluindo o cére­bro) era como uma máquina, extre­ma­mente com­plexa mas per­fei­ta­mente mecâ­nica, e que quem ditava as ordens era a alma ima­te­rial, que se comu­ni­cava com o corpo por via da glân­dula pineal. Hoje em dia esse “dua­lismo car­te­si­ano não é levado muito a sério por nenhuma cor­rente prin­ci­pal nem da neu­ro­ci­ên­cia nem da filo­so­fia” (Chur­ch­land e Sej­nowsy, 1992). Ora bolas, e por que não? O que há de errado nisso? Não seria puro pre­con­ceito ide­o­ló­gico excluir uma hipó­tese que parece tão boa quanto as outras? Seria, mas o caso é que esta hipó­tese, levan­tada 400 anos atrás, já não parece mais tão boa assim:

    No estado atual de evo­lu­ção da ciên­cia, parece alta­mente pro­vá­vel que pro­ces­sos psi­co­ló­gi­cos são de fato pro­ces­sos do cére­bro físico, não, como Des­car­tes con­cluiu, pro­ces­sos de uma alma ou mente não-física. […] É sufi­ci­ente obser­var que a hipó­tese Car­te­si­ana falha em ser coe­rente com o estado atual do conhe­ci­mento em física, quí­mica, bio­lo­gia evo­lu­tiva, bio­lo­gia mole­cu­lar, embri­o­lo­gia, imu­no­lo­gia, e neu­ro­ci­ên­cia (Chur­ch­land e Sej­nowsky, 1992).

    OK, tudo bem que essa his­tó­ria de alma não encon­trou muito suporte em evi­dên­cias, mas pre­cisa igno­rar com­ple­ta­mente? Não, mas assim como teo­ri­ca­mente não igno­ra­mos com­ple­ta­mente a pos­si­bi­li­dade da exis­tên­cia do Pé-grande, na prá­tica as evi­dên­cias são tão minús­cu­las que quase nin­guém leva isso a sério.

    Para ser exato, o mate­ri­a­lismo não é um fato esta­be­le­cido, da mesma maneira que a estru­tura heli­coi­dal de qua­tro bases do DNA, por exem­plo, é um fato esta­be­le­cido. É pos­sí­vel, por­tanto, que a des­peito das evi­dên­cias atu­ais, o dua­lismo possa ser ver­da­deiro. Ape­sar da remota pos­si­bi­li­dade que novas des­co­ber­tas venham a sus­ten­tar Des­car­tes, o mate­ri­a­lismo, como a evo­lu­ção Darwi­ni­ana, é a mais pro­vá­vel hipó­tese de tra­ba­lho (Chur­ch­land e Sej­nowsky, 1992).

    Mas tal dua­lismo se tor­nou um obs­tá­culo para o século XX, já que parece situar a cons­ci­ên­cia e outros fenô­me­nos men­tais fora do mundo físico ordi­ná­rio e, por con­se­guinte, fora do domí­nio da ciên­cia natu­ral. No meu ponto de vista, temos de aban­do­nar o dua­lismo e come­çar do pres­su­posto de que a cons­ci­ên­cia é um fenô­meno bio­ló­gico tri­vial com­pa­rá­vel ao cres­ci­mento, à diges­tão ou à secre­ção da bílis (Searle, 1998).

    Esta nova ciên­cia da mente baseia-se no prin­cí­pio de que a nossa mente e o nosso cére­bro são inse­pa­rá­veis. O cére­bro é um órgão bio­ló­gico com­plexo que pos­sui imensa capa­ci­dade com­pu­ta­ci­o­nal: cons­trói a nossa expe­ri­ên­cia sen­so­rial, regula nos­sos pen­sa­men­tos e emo­ções, e con­trola as nos­sas ações. É res­pon­sá­vel não só por com­por­ta­men­tos moto­res rela­ti­va­mente sim­ples como cor­rer e comer, mas tam­bém por atos com­ple­xos que con­si­de­ra­mos essen­ci­al­mente huma­nos, como pen­sar, falar e criar obras de arte. Visto desta pers­pec­tiva, nossa mente é um con­junto de ope­ra­ções rea­li­za­das pelo nosso cére­bro (Eric Kan­del).

    Brain_in_a_vat_(en)

    Estou cami­nhando lá fora ao sol!!” Hipó­tese da Matrix ou cére­bro em uma jarra.

    É evi­dente, por­tanto, que tanto cien­tis­tas quanto filó­so­fos não afir­mam cate­go­ri­ca­mente que o mate­ri­a­lismo é um fato com­ple­ta­mente esta­be­le­cido. Por outro lado, a neu­ro­ci­ên­cia vem cada vez mais acu­mu­lando evi­dên­cias de que é o cére­bro que causa a mente ou de que a mente emerge do cére­bro, tor­nando o con­ceito de alma supér­fluo. Mesmo entre as posi­ções mais con­tro­ver­sas em filo­so­fia da mente, é muito difí­cil encon­trar alguém que des­carte o cére­bro como causa da mente, e que sus­tente em lugar a exis­tên­cia da alma. Roger Pen­rose, famoso pelo seu argu­mento con­tra a pos­si­bi­li­dade do desen­vol­vi­mento de máqui­nas real­mente inte­li­gen­tes, se dis­tan­cia de posi­ções não-materiais: “Estou de pre­fe­rên­cia suge­rindo que não exis­tem flu­tu­ando por aí obje­tos men­tais que não se baseiam na fisi­ca­li­dade” (Pen­rose, 1997). David Chal­mers é um filó­sofo que explora seri­a­mente a hipó­tese da Matrix, ou seja, que esta­ría­mos vivendo em uma gigan­tesca simu­la­ção com­pu­ta­ci­o­nal. Embora nesta situ­a­ção o cére­bro seja irre­le­vante, a mente ainda assim não teria nada que ver com alma ou espí­rito, e sim com o com­pu­ta­dor ultra-avançado onde nossa simu­la­ção esta­ria rodando. Há con­tudo o caso do fale­cido neu­ro­bió­logo John Eccles, que sus­ten­tava algo pare­cido com o dua­lismo car­te­si­ano e acre­di­tava que “Deus incor­pora a alma ao feto em ges­ta­ção na idade de três sema­nas” (Searle, 1998).

    Além das evi­dên­cias em con­trá­rio e da falta de coe­rên­cia com o resto do conhe­ci­mento cien­tí­fico esta­be­le­cido, há tam­bém mui­tos pro­ble­mas com o con­ceito de alma. Qua­li­a­Soup faz uma aná­lise audio-visual deta­lhada des­ses pro­ble­mas, logo não vou repetí-la, mas con­si­dere por um momento estas ques­tões que ele levanta: Por que uma enti­dade ima­te­rial (alma) pode­ria pen­sar e o cére­bro não? De que maneira algo ima­te­rial pode se rela­ci­o­nar com a maté­ria? Como pode­ria algo sem qual­quer parte física até mesmo existir?

    Sus­peito for­te­mente que Ale­xan­der con­ti­nu­ará dis­tor­cendo os fatos com suas ten­ta­ti­vas de com­pro­va­ção do espi­ri­tismo. Só nos resta espe­rar que suas pró­xi­mas dis­tor­ções sejam ainda mais ela­bo­ra­das que essa. Assim pelo menos nunca fal­ta­rão tópi­cos na nossa pauta cética.

    Refe­rên­cias

    O Mis­té­rio da Cons­ci­ên­cia. John R. Searle, 1998.

    The Com­pu­ta­ti­o­nal Brain. Patri­cia Chur­ch­land, Ter­rence Sej­nowsky, 1992.

    O Grande, o Pequeno e a Mente Humana. Roger Pen­rose, 1997.

     
  • Paulo Ramos 1 de May de 2013, às 14:46 Permalink | Responder  

    Rómulo sobe aos Céus 

    romulus

    A des­cri­ção da morte de Rómu­lus, segundo dois his­to­ri­a­do­res roma­nos do século I — Tito Lívio e Plu­tarco — pode reve­lar algu­mas pis­tas sobre as influên­cias que esti­ve­ram na ori­gem das nar­ra­ti­vas sobre a morte, res­su­rei­ção, ascen­são e apa­ri­ções de Jesus.

    • Rómu­lus desa­pa­rece, dei­xando o trono vago
    • Exis­tem sus­pei­tas que os pode­ro­sos de Roma mata­ram Rómu­lus por este ser incómodo
    • O povo alega que Rómu­lus subiu ao céu e tornou-se Deus (Quirinius)
    • Um homem alega ter visto Rómu­lus e rece­bido reve­la­ções dele sobre o futuro

    Ape­sar de Rómu­lus ale­ga­da­mente ter vivido uns 700 anos antes, era assim que a sua morte era retra­tada no século I — o século em que come­ça­ram a ser escri­tos os evan­ge­lhos sobre Jesus.

     

    Tito Lívio (59 a.C. — 17 d.C.)

    Tito Lívio des­creve a morte de Rómu­lus — o fun­da­dor de Roma e seu pri­meiro rei — e a sua ascen­são aos céus.

    Des­creve tam­bém como foi visto por Pró­cu­lus que obteve reve­la­ções sobre o futuro dos romanos.

    Tito Lívio (59 a.C. — 17 d.C.), “Ab Urbe Con­dita” (Desde a Fun­da­ção da Cidade ou His­tó­ria Pri­mi­tiva de Roma), Livro 1, cap 16

    Romu­lus ajun­tou o seu exér­cito na Caprae Palus do Cam­pus Mar­tius. Uma vio­lenta tem­pes­tade sur­giu e envol­veu o rei numa nuvem tão densa que ele se tor­nou invi­sí­vel aos que esta­vam pre­sen­tes. A par­tir daquela hora Romu­lus dei­xou de ser visto na Terra.

    Quan­dos a juven­tude romana teve os seus temo­res afas­ta­dos pelo retorno do bri­lho do sol, veri­fi­ca­ram que o trono estava vago. Ape­sar de acre­di­ta­rem ple­na­mente nos sena­do­res, que afir­ma­ram que ele [Rómu­lus] havia sido arre­ba­tado ao céu num rede­moi­nho, fica­ram mudos por algum tempo, pois viram-se repen­ti­na­mente de luto.

    Em seguida, algu­mas vozes come­ça­ram a pro­cla­mar a divin­dade de Rómu­lus; o cla­mor foi subindo; e, final­mente, todos o sau­da­ram como um deus e filho de um deus, e reza­ram para que ele fosse sem­pre gen­til e pro­te­gesse os seus filhos.

    No entanto, mesmo nesta gran­di­osa época, havia, creio eu, alguns dis­si­den­tes que man­ti­ve­ram secre­ta­mente que o rei [Rómu­lus] tinha sido feito em peda­ços pelos sena­do­res. Esta indigna ver­são da sua morte foi pas­sando, vela­da­mente, mas não era tão impor­tante como o temor e admi­ra­ção pela gran­deza de Romulus.

    Mas esta ver­são sobre a sua morte foi defi­ni­ti­va­mente aban­do­nada em favor da ver­são da divin­dade de Rómu­lus, pela opor­tuna acção de um deter­mi­nado homem, Julius Pró­culo, céle­bre pelos seus sábios con­se­lhos sobre gran­des questões.

    A perda do rei tinha dei­xado as pes­soas inqui­e­tas e des­con­fi­a­das dos sena­do­res. Pró­cu­lus, cons­ci­ente do tem­pe­ra­mento pre­do­mi­nante, con­ce­beu a idéia astuta de abor­dar a Assembléia.

    • Romu­lus”, decla­rou ele, “o pai de nossa cidade des­ceu do céu ao ama­nhe­cer esta manhã e apa­re­ceu a mim. Em res­peito e reve­rên­cia que eu estava diante dele, pedindo per­mis­são para olhar em seu rosto sem pecado. «Vai», disse ele, «e diz aos roma­nos que, pela von­tade dos céus, Roma será a capi­tal do mundo. Deixa-os apren­der a ser sol­da­dos. Deixa-os saber e ensi­nar os seus filhos, que nenhum poder na terra poderá ven­cer armas roma­nas». Tendo dito estas pala­vras, ele foi levado nova­mente para o céu ”

Refe­rên­cia: http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D1%3Achapter%3D16

Plu­tarco (46 — 120 d.C.)

Plu­tarco (cerca 46 — 120 d.C.) — “Vida de Numa Pompilius”

Foi o tri­gé­simo sétimo ano, con­tado a par­tir da fun­da­ção de Roma, quando Rómu­lus, então rei­nante, no quinto dia do mês de Julho, fes­te­jou os Nonae Caprütī­nae, ofe­re­cendo um sacri­fí­cio público no Caprae Palus, na pre­sença do senado e do povo de Roma. De repente, o céu escu­re­ceu, uma espessa nuvem de tem­pes­tade e chuva envol­veu a terra, as pes­soas fugi­ram em afli­ção, e foram dis­per­sas, e neste tur­bi­lhão Rómu­lus desa­pa­re­ceu, e o seu corpo nunca foi encon­trado vivo ou morto.

A sus­peita recaiu sobre os patrí­cios, e os boa­tos eram cor­ren­tes entre as pes­soas como se, can­sa­dos da monar­quia e do com­por­ta­mento arro­gante de Rómu­lus em rela­ção a eles, tinham inten­tado con­tra a sua vida, de modo que eles pudes­sem assu­mir o governo nas suas pró­prias mãos. Esta sus­peita que pro­cu­ra­vam des­viar decre­tando hon­ras divi­nas para Rómu­lus, como se este não esti­vesse morto mas sim numa con­di­ção supe­rior. E Pró­cu­lus, um homem de nota, jurou que viu Rómu­lus arre­ba­tado aos céus com suas armas e para­men­tos, e ouviu-o cla­mar que eles deve­riam agora chamá-lo pelo nome de Qui­ri­nus [divin­dade que repre­senta o povo de Roma].

Refe­rên­cia: http://classics.mit.edu/Plutarch/numa_pom.html

 

 
  • Paulo Ramos 14 de April de 2013, às 1:23 Permalink | Responder  

    Os Cornos de Deus 

    ApisBull

     

    O deus do Antigo Tes­ta­mento, alter­na­da­mente Yah­veh ou El, foi, por diver­sas vezes, retra­tado como pos­suindo cor­nos e outras qua­li­da­des ani­mais ou mitológicas.

    A mai­o­ria das tra­du­ções do Antigo Tes­ta­mento ten­tam escon­der estas qua­li­da­des, pois não são con­cor­dan­tes com um deus invi­sí­vel, cri­a­dor do mundo, etc.

     

    Deus é um touro de guerra

    Come­ce­mos com Balaão, um pro­feta cal­deu, que é apre­sen­tado em Núme­ros como um admi­ra­dor espe­cial das qua­li­da­des de Yahveh:

    É Deus que os vem tirando do Egito; as suas for­ças são como as do boi sel­va­gem. (Núme­ros 23:22 —  João Fer­reira de Almeida)

    É Deus que os vem tirando do Egito; as suas for­ças são como as do boi sel­va­gem; ele devo­rará as nações, seus adver­sá­rios, lhes que­brará os ossos, e com as suas setas os atra­ves­sará. (Núme­ros 24:8 — João Fer­reira de Almeida)

    Montu boi de guerra

     

    Os cor­nos contagiosos

    Moi­sés, quando des­ceu do monte Sinai, depois de falar com deus, apa­re­ceu ao povo com cor­nos, como se as qua­li­da­des divi­nas fos­sem contagiosas:

    Quando Moi­sés des­ceu do monte Sinai, tra­zendo nas mãos as duas tábuas do tes­te­mu­nho, sim, quando des­ceu do monte, Moi­sés não sabia que a pele do seu rosto res­plan­de­cia, por haver Deus falado com ele. (.…)  Assim, pois, viam os filhos de Israel o rosto de Moi­sés, e que a pele do seu rosto res­plan­de­cia; e tor­nava Moi­sés a pôr o véu sobre o seu rosto, até entrar para falar com Deus.  (Êxodo 34:29–35 — João Fer­reira de Almeida)

    O tra­du­tor (neste caso, João Fer­reira de Almeida) tro­cou os “cor­nos” por “res­plan­de­ci­mento”. Nou­tras tra­du­ções apa­re­cem “raios de luz”, mas na tra­du­ção para o Latim — a Vul­gata Latina do século IV — ainda eram visí­veis os “cor­nos” no texto

    cum­que des­cen­de­ret Moses de monte Sinai tene­bat duas tabu­las tes­ti­mo­nii et igno­ra­bat quod cor­nuta esset facies sua ex con­sor­tio ser­mo­nis Dei
    (…) qui vide­bant faciem egre­di­en­tis Mosi esse cor­nu­tam sed ope­ri­e­bat rur­sus ille faciem suam si quando loque­ba­tur ad eos (Êxodo 34:29–35 - Vul­gata Latina)

    Baseando-se na tra­du­ção latina, Miche­lan­gelo retra­tou Moi­sés com cor­nos (http://en.wikipedia.org/wiki/Moses_(Michelangelo))

    Moises com cornos

     

    O altar com chifres

    Deus ordena que se cons­trua um altar com chi­fres nos qua­tro can­tos (Êxodo 27:1–2; Êxodo 38:1–2; Leví­tico 4:18,25).

    Altar com chifres

     

    Qual era a uti­li­dade des­tes chi­fres? Ser­viam de pro­tec­ção. Quem ficasse a segu­rar estes chi­fres fica­ria pro­te­gido — por lei — de pos­sí­veis per­se­gui­ções ou ameaças.

    Mas Ado­nias, com medo de Salo­mão, foi agarrar-se às pon­tas do altar. Então infor­ma­ram a Salo­mão: “Ado­nias está com medo do rei Salo­mão e está agar­rado às pon­tas do altar. Ele diz: ‘Que o rei Salo­mão jure que não matará este seu servo pela espada’”. (1 Reis 1:50–51, Nova Ver­são Internacional)

    Quando a notí­cia che­gou a Joabe, que havia cons­pi­rado com Ado­nias, ainda que não com Absa­lão, ele fugiu para a Tenda do Senhor e agarrou-se às pon­tas do altar. (1 Reis 2:28, Nova Ver­são Internacional)

    Um cân­tico serve para mos­trar a crença na pro­tec­ção ofe­re­cida pelo chi­fre de Deus:

    O meu Deus é a minha rocha, em que me refugio;

    Ele é a minha torre alta, o meu abrigo seguro.
    Tu, Senhor, és o meu salvador, e me sal­vas dos vio­len­tos.
    (2 Samuel 22:3 - Nova Ver­são Internacional)

     

    Deus é um dra­gão guerreiro

    Um poema em Sal­mos 18 retrata o deus dos judeus como um dra­gão guer­reiro que voa mon­tado num querubim:

    1 Eu te amo, ó Senhor, minha força.
    2 O Senhor é a minha rocha, a minha for­ta­leza
    e o meu libertador;

    em quem me refu­gio.
    Ele é o meu escudo e o poder (hebraico: chi­fre) que me salva,
    a minha torre alta.
    .…

    8 Das suas nari­nas subiu fumaça;
    da sua boca saí­ram bra­sas vivas
    e fogo con­su­mi­dor.
    9 Ele abriu os céus e des­ceu;
    nuvens escu­ras esta­vam sob os seus pés.
    10 Mon­tou um que­ru­bim e voou,
    des­li­zando sobre as asas do vento.
    11 Fez das tre­vas o seu escon­de­rijo,
    das escu­ras nuvens, cheias de água,

    12 Com o ful­gor da sua pre­sença
    as nuvens se des­fi­ze­ram em gra­nizo e raios,
    13 quando dos céus tro­ve­jou o Senhor,
    e res­soou a voz do Altís­simo.
    14 Ati­rou suas fle­chas e dis­per­sou meus ini­mi­gos,
    com seus raios os der­ro­tou.
    .… (Sal­mos 18 — Nova Ver­são Internacional)

     

    O que monta, agora, Yah­veh? Monta um que­ru­bim. Mas como seria um querubim?

    querubim assirio

     

     
    • Ateu Português 17 de Junho de 2013, às 12:53 Permalink | Responder

      Lei­tura muito inte­res­sante.
      Obri­gado Paulo.

    • Paulo Ramos 24 de Junho de 2013, às 9:11 Permalink | Responder

      Obri­gado pelo feed­back e pela apre­ci­a­ção.
      Um abraço.

    • janderli juliao 2 de Julho de 2013, às 8:12 Permalink | Responder

      O seu ota­rio que fazer graca poe uma melan­cia na.cabeca e sai rebo­lando seu pau no cu de uma figa

    • Messias 11 de Julho de 2013, às 22:31 Permalink | Responder

      Gos­ta­ria de saber, se vc pode me pro­var que no latim a tra­du­çao de Êxodo 34:29 , refere-se a moi­sés sendo apre­sen­tado ao povo com chi­fres. Afi­nal dizer que a tra­du­çao é esta que vc apre­sen­tou nao prova nada.

    • Paulo Ramos 15 de Julho de 2013, às 23:51 Permalink | Responder

      Mes­sias,
      Por exem­plo, este artigo (http://www.rome.info/michelangelo/moses/) diz que Jeró­nimo tra­du­ziu erra­da­mente por “cor­nos” na Vul­gata Latina.

      Mas, por­que é que Jeró­nimo iria fazer um erro des­ses?
      E por­que é que Miche­lan­gelo seguiu, mil anos mais tarde, a des­cri­ção desta tra­du­ção como ins­pi­ra­ção para a sua está­tua de Moisés?

  • Paulo Ramos 27 de January de 2013, às 21:39 Permalink | Responder  

    O Bezerro de Ouro que Dominou o Mundo 

    goldencalf
    O homem pri­mi­tivo sentia-se apa­vo­rado com os fenó­me­nos da natu­reza — tem­pes­ta­des e tan­tos outros — que jul­gava serem a mani­fes­ta­ção de Seres Pode­ro­sos. Então, na sua impo­tên­cia para con­tro­lar a natu­reza, e não encon­trando expli­ca­ções razoá­veis para os acon­te­ci­men­tos, volta-se para aque­les Seres Pode­ro­sos que ima­gina coman­da­rem o mundo. Sub­misso e supli­cante, implora-lhes per­dão pelas fal­tas come­ti­das, simula pre­ces e ofe­ren­das. Com isso, supõe apla­car a ira dos deu­ses e ganhar-lhes o seu favor.

    Foi, assim, lan­çada a semente da reli­gião que no decor­rer do tempo foi ganhando novas for­mas, de acordo com as neces­si­da­des e aspi­ra­ções do Homem.

    O deus cris­tão come­çou a sua car­reira no pan­teão cana­neu. Nesse pan­teão domi­nava El– Elyon (o Altís­simo) com os filhos: Baal (deus das tem­pes­ta­des, da fer­ti­li­dade e das colhei­tas), Yam (deus do mar) e mui­tos outros.

    Even­tu­al­mente Yah­veh, um deus da guerra, dos habi­tan­tes do deserto, foi adi­ci­o­nado a esse pan­teão. Yah­veh seria repre­sen­tado por um bezerro dou­rado, mas seria não pou­cas vezes subs­ti­tuido pelo antro­po­morfo Baal dos Fení­cios (cana­neus) sendo final­mente pro­mo­vido ao deus-supremo Eloi.

    Sim, Yah­veh foi – durante o domí­nio babi­ló­nico — equi­pa­rado ao Altís­simo El-Elyon, o Todo-Poderoso El-Shaddai, ter­mi­nando a sua saga judaica como um ser invi­sí­vel, trans­cen­dente, que já não mos­tra fei­tos espe­ta­cu­la­res mas ape­nas mur­mura aos profetas.

    Foi então trans­fe­rido para a cul­tura greco-romana por Paulo de Tarso, empa­co­tado como o Pai do Cristo, depois feito trin­dade para uma igreja uni­ver­sal (grego: katho­li­kos) por Constantino.

     

     
    • Luís Filipe Redes 26 de Março de 2013, às 20:11 Permalink | Responder

      Achei inte­res­sante esta his­tó­ria do deus do antigo tes­ta­mento que eu igno­rava e que nos per­mite com­pre­en­der nar­ra­ti­vas da bíblia, nome­a­da­mente o iní­cio apa­ren­te­mente poli­teísta do iní­cio do livro de Job.

      • Luís Filipe Redes 26 de Março de 2013, às 20:14 Permalink | Responder

        Achei inte­res­sante esta his­tó­ria do deus do antigo tes­ta­mento que eu igno­rava e que nos per­mite com­pre­en­der nar­ra­ti­vas da bíblia, nome­a­da­mente o iní­cio apa­ren­te­mente poli­teísta do iní­cio do livro de Job.

      • Paulo Ramos 14 de Abril de 2013, às 10:42 Permalink | Responder

        Obri­gado pelo comentário!

        Sim, no iní­cio de Job pode­ria bem ter sido, no ori­gi­nal, do seguinte modo:
        “E os filhos dos Elohim vie­ram apresentar-se e Yah­veh e Satan tam­bém se apre­sen­ta­ram…” (Job 1:6)

        Pode­ria ser que no ori­gi­nal, os Elohim fos­sem os deu­ses prin­ci­pais, lide­ra­dos por El-Elyon, e Yah­veh e Satan fos­sem os deu­ses des­cen­den­tes e regionais.

        Isto pode ser cor­ro­bo­rado por outro texto do Antigo Tes­ta­mento:
        “Quando El-Eyon (o Altís­simo) divi­diu o mundo pelas nações, deu Israel como a por­ção para Yah­veh” (Deu­te­ro­no­mio 32:8–9)

        Refe­rên­cias (hebraico inter­li­near)
        http://www.scripture4all.org/OnlineInterlinear/OTpdf/job1.pdf
        http://www.scripture4all.org/OnlineInterlinear/OTpdf/deu32.pdf

  • Paulo Ramos 7 de January de 2013, às 0:02 Permalink | Responder  

    Crenças 

    kneeling

     

     

    Exer­cí­cio: iden­ti­fi­car as cren­ças 1 e 2 e 3

    Crença 1

    Há 75 milhões de anos, vários pla­ne­tas reuniram-se numa “con­fe­de­ra­ção das galá­xias”, gover­nada por um líder malé­fico cha­mado Xenu. Como os pla­ne­tas esta­vam com pro­ble­mas de super­po­pu­la­ção, Xenu man­dou milha­res de milhões de seus habi­tan­tes para a Terra, em naves, onde foram ati­ra­dos para den­tro de vul­cões e mor­tos com bom­bas de hidro­gé­nio. Seus espí­ri­tos, ou “the­tans”, foram recap­tu­ra­dos e reu­ni­dos em con­junto, naquilo que vie­ram a ser os huma­nos.
    Ora, a maior parte dos seres huma­nos não se lem­bram deste pas­sado dos seus espí­ri­tos. Por isso pre­ci­sam de fazer uma audi­to­ria espi­ri­tual para se liber­ta­rem dos trau­mas do passado.

     

    Crença 2

    Um deus todo-poderoso do espaço deci­diu enviar seu filho para uma mis­são sui­cida no pla­neta Terra.
    Para o con­se­guir, este deus engra­vi­dou uma fêmea humana, e esta deu à luz um bebé que é tanto um ser humano como um deus. Assim, o deus júnior nasce na Terra des­ti­nado a ser morto, ape­sar de ele pró­prio ser… imor­tal.
    A mis­são do bebé-deus foi per­ma­ne­cer incog­nito durante 30 anos, dis­far­çado de car­pin­teiro, e depois apa­re­cer e ensi­nar que veio para sal­var os seres huma­nos.
    Acon­tece que os seres huma­nos pre­ci­sam de ser sal­vos por­que des­cen­dem de uma cos­tela que comeu o fruto de uma árvore mágica ao ser enga­nada por uma ser­pente falante.
    Segundo o plano, o deus-júnior foi morto e depois fez-se morto-vivo e agora salva aque­les que comem a sua carne em forma de bola­cha e tele­pa­ti­ca­mente o acei­tam como Senhor.

     

    Crença 3

    Um Ser invi­sí­vel e inde­tec­tá­vel criou o uni­verso, come­çando com uma mon­ta­nha, árvo­res e um anão.
    Todas as evi­dên­cias a favor da evo­lu­ção foram inten­ci­o­nal­mente plan­ta­das pelo Cri­a­dor. O Cri­a­dor testa a fé dos cren­tes fazendo as coi­sas pare­ce­rem mais velhas do que elas real­mente são.
    Os fós­seis dos dinos­sau­ros foram escon­di­dos sob a terra com o único intuito de enga­nar a huma­ni­dade.
    Quem crer terá direito a um paraíso que inclui cer­veja em abun­dân­cia e mui­tas mulhe­res des­pi­das.
    Para quem não crê existe um inferno, onde a cer­veja é sem álcool e quente e as mulhe­res têm doen­ças.
    Aque­ci­mento glo­bal, ter­re­mo­tos, fura­cões e outros desas­tres natu­rais são uma con­sequên­cia direta do declí­nio no número de pira­tas desde o século XIX. O crente deve tornar-se pirata para ten­tar rever­ter estes problemas.

    —————————————————————————-

    Con­se­gue iden­ti­fi­car as cren­ças aqui descritas? Envie a sua res­posta em comentário.

     

     
    • Alison Chaves 7 de Janeiro de 2013, às 22:21 Permalink | Responder

      Espi­ri­tismo, Cris­ti­a­nismo e Cri­a­ci­o­nismo!
      Mas você duvida da vera­ci­dade des­sas cren­ças? olha que você vai se entor­tar todo hein :P

    • Paulo César 7 de Janeiro de 2013, às 23:07 Permalink | Responder

      A pri­meira não identifiquei.

      Segunda: cris­ti­a­nismo.

      Ter­ceira: pastafarianismo.

    • Mauro Bartolomeu 7 de Janeiro de 2013, às 23:52 Permalink | Responder

      kkkkkk! Boa! Cien­to­lo­gia, cris­ti­a­nismo e pastafarianismo.

    • Paulo Ramos 12 de Janeiro de 2013, às 1:43 Permalink | Responder

      Cer­tís­simo, Mauro!
      Foi essa a inten­ção: des­cre­ver a cien­to­lo­gia, o cris­ti­a­nismo e o pastafarianismo.

      Obri­gado a todos!

  • Paulo Ramos 26 de December de 2012, às 0:56 Permalink | Responder
    Etiquetas: Calendário,   

    Quando nasceu Jesus? 

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    calendario romano em pedra

    O calen­dá­rio juli­ano tinha como refe­rên­cia a data mítica da fun­da­ção de Roma (Ab Urbe Con­dita, 753 AEC). No entanto, o calen­dá­rio juli­ano não dava muita impor­tân­cia à nume­ra­ção dos anos — dava mais ênfase de como cada ano era estru­tu­rado em ter­mos de dias e meses. Durante sécu­los os anos foram quase sem­pre refe­ri­dos em rela­ção ao ano de regên­cia do impe­ra­dor em exer­cí­cio (ex. 15º ano de Tibé­rio) ou qual­quer evento notá­vel (uma guerra impor­tante ou as olim­pía­das, p.ex).

    No fim do ano 1037 Ab Urbe Con­dita (1037 AUC ou 284 EC), Dio­cle­ci­ano tomou o poder no Impé­rio, ficando o ano seguinte como o 1º Anno Dio­cle­ti­ani (AD). Esta con­ta­gem de anos foi uti­li­zada durante mais de 240 anos.

    Dio­cle­ci­ano foi um forte per­se­gui­dor de cris­tãos mas, nas épocas pos­te­ri­o­res, os cris­tãos tornaram-se uma força impor­tante no Impé­rio, obri­gando o impe­ra­dor Cons­tan­tino a tolerá-los e ofi­ci­a­li­zar, a par­tir do Con­cí­lio de Niceia (ano 41 de Dio­cle­ci­ano, 325 EC), a Igreja Católica.

    Por volta do ano 241 de Dio­cle­ci­ano (525 EC) o Papa João I pediu a um monge cha­mado Dio­ní­sio Exí­guo para fazer o cál­culo dos dias de Pás­coa para os anos seguin­tes. Como o dia de Pás­coa vari­ava de ano para ano, por­que tinha de ser pró­ximo da lua-cheia, de vez em quando era neces­sá­rio cal­cu­lar a data em que a Pás­coa ocor­re­ria nos anos seguin­tes para se poder pre­pa­rar con­ve­ni­en­te­mente as celebrações.

    Para além de cal­cu­lar as data pedi­das, Dio­ní­sio defi­niu retro­ac­ti­va­mente que Jesus teria nas­cido em 25 de Dezem­bro do ano 753 AUC. Segundo os seus cál­cu­los, o dia 1 de Janeiro de 754 AUC teria sido, por­tanto, o pri­meiro dia do pri­meiro Anno Domini (Ano do Senhor, AD, apro­vei­tando a sigla usada na con­ta­gem de Diocleciano).

    Lucas 3:1–23 No décimo quinto ano do rei­nado de Tibé­rio César, sendo Pôn­cio Pila­tos gover­na­dor da Judeia, Hero­des tetrarca da Gali­léia, seu irmão Filipe tetrarca da região da Itu­réia e de Tra­co­ni­tes, e Lisâ­nias tetrarca de Abi­lene, sendo Anás e Cai­fás sumos sacer­do­tes, veio a pala­vra de Deus a João, filho de Zaca­rias, no deserto. E ele per­cor­reu toda a cir­cun­vi­zi­nhança do Jor­dão, pre­gando o batismo de arre­pen­di­mento para remis­são de peca­dos; …
    Quando todo o povo fora bati­zado, tendo sido Jesus tam­bém bati­zado, … Ora, Jesus, ao come­çar o seu minis­té­rio, tinha cerca de trinta anos; …

    Dio­ní­sio pro­va­vel­mente baseou os seus cál­cu­los no texto de Lucas 3:1–23 pois parece ter igno­rado todas as outras refe­rên­cias dos evan­ge­lhos e refe­rên­cias his­tó­ri­cas, nome­a­da­mente a morte de Hero­des e o censo de Quirinius.

    NOTA: aqui faço uso das abre­vi­a­tu­ras AEC/EC (Antes da Era Comum/Era Comum) em vez de a.C./d.C (antes de Cristo/depois de Cristo).

    tabela eventos

     

    http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2012/10/calendario-contagem-dos-anos.html

     

     

     
    • João Tereso 28 de Dezembro de 2012, às 14:26 Permalink | Responder

      Fico con­tente que tenham tomado a inci­a­tiva de criar este site. Vou acom­pa­nhar, sem dúvida. Gos­tei muito deste post, creio que dá uma boa ideia desta pro­ble­má­tica acerca da qual nunca fiz gran­des pes­qui­sas, embora tenha for­ma­ção em História/Arqueologia.

      Só um breve comen­tá­rio, acerca de um por­me­nor. No âmbito da minha inves­ti­ga­ção cien­tí­fica (que é o meu tra­ba­lho) tenho de lidar com o tempo — com datas. Tenho de colo­car even­tos num calen­dá­rio de vários milha­res de anos. No entanto, ape­sar de ser ateu con­victo e sem qual­quer dúvida acerca disso, uso de livre von­tade (embora algu­mas revis­tas façam disto impo­si­ção) a refe­rên­cia tem­po­ral a.C. e d.C. (usu­al­mente na ver­são inglesa BC/AD). Uso tam­bém fre­quen­te­mente datas em BP (Before Pre­sent, sendo o pre­sente o ano de 1950), uma con­ven­ção para fins téc­ni­cos na minha área científica.

      Na ver­dade, não vejo qual­quer con­tra­di­ção ide­o­ló­gica entre usar a.C. e d.C. e o facto de ser ateu. Tal­vez por­que me estou a marim­bar para se os outros con­si­de­ram isso uma con­tra­di­ção de minha parte. Tal­vez por con­si­de­rar igual­mente con­tra­di­tó­rio (se não até mais do que usar a.C.) o uso de uma refe­rên­cia a uma Era Comum que usa o nas­ci­mento de Cristo como refe­rên­cia tem­po­ral. No fundo, acho que a.C. ou a.n.e (antes da nossa era) ou a.e.c. (antes da era comum) é tudo a mesma coisa mas com pala­vras dife­ren­tes. Para mim, a.C. e d.C. refere-se uni­ca­mente ao nas­ci­mento de alguém que para mim não foi o filho de nenhum deus. Usar Era Comum é refe­rir que o nas­ci­mento dessa pes­soa repre­senta o iní­cio de uma nova Era. Comum porquê? Comum a quem?

      Num blo­gue que man­ti­nha com uns ami­gos e que está quase morto tive­mos já uma pequena dis­cus­são sobre o assunto. Podem ver aqui:

      http://arqueociencias.blogspot.pt/2011/04/antes-de-cristo-ou-antes-na-nossa-era.html#comment-form

    • Helder Sanches 28 de Dezembro de 2012, às 14:51 Permalink | Responder

      Olá João Tereso,

      Para­béns por teres sido o pri­meiro a comen­tar no ateu.pt. Só por causa disso, já ganhaste… a sim­pa­tia de todos nós. ;-)

      Con­cordo com o teu comen­tá­rio. O facto de ser­mos ateus não deve sig­ni­fi­car sub­trair­mos da nossa orga­ni­za­ção social (e téc­nica, neste caso) as influên­cias his­tó­ri­cas que estão impreg­na­das no tecido da nossa civi­li­za­ção quando essas mes­mas influên­cias não pre­ju­di­cam em nada o fun­ci­o­na­mento e a desen­vol­vi­mento civi­li­za­ci­o­nal. Claro que tam­bém é válido que arran­jar outra sigla não pre­ju­di­ca­ria, daí con­cor­dar con­tigo que o mais impor­tante é saber­mos ao que é que nos esta­mos a refe­rir do que pro­pri­a­mente a forma como o fazemos.

      Não conhe­cia o BP, nem fazia a mínima ideia de que 1950 era um marco, por assim dizer. Achei inte­res­sante mas fiquei curi­oso em saber porquê 1950.

    • Paulo Ramos 28 de Dezembro de 2012, às 20:13 Permalink | Responder

      Con­cordo com o argu­mento do João Tereso e agradeço-lhe o comen­tá­rio e o link para a inte­res­sante dis­cus­são sobre este assunto.

      No entanto fica­ria muito estra­nho cons­truir fra­ses do tipo “Segundo o evan­ge­lho de Mateus, Jesus nas­ceu, o mais tar­dar, em 4 antes de Cristo”.

      Por outro lado, em mui­tos paí­ses utiliza-se um calen­dá­rio que diz que esta­mos a viver o ano 2012, a cami­nhar para 2013. Nesse sen­tido é um calen­dá­rio Comum.

      Diria, para con­cluir, que expres­são cor­reta deve­ria ser AESDE/ESDE (Antes da Era Segundo Dio­ni­sio Exi­guo / Era Segundo Dio­ni­sio Exiguo).

    • João Tereso 28 de Dezembro de 2012, às 21:10 Permalink | Responder

      AESDE/ESDE é uma boa expressão!

      O ano de 1950 e a expres­são BP são usa­dos uni­ca­mente para refe­rir datas de radi­o­car­bono:
      cal. BP são datas do nosso calen­dá­rio, mas a con­tar a par­tir de 1950
      BP (sem cal.) são datas de radi­o­car­bono e cor­res­ponde a anos do nosso calen­dá­rio (isto por­que ao longo do tempo houve vari­a­ções nos níveis de car­bono 14 exis­tente na atmosfera).

      1950 refere-se ao ano (ou pró­ximo do ano) em que a téc­nica da data­ção por radi­o­car­bono foi inven­tada, daí con­ven­ci­o­nal­mente ser usada essa data.

    • Lisandro Hubris 23 de Fevereiro de 2013, às 6:58 Permalink | Responder

      Ami­gos ateís­tas
      Eu publi­quei 10 PDFs ateís­tas no RECANTO DAS LETRAS, que des­mas­ca­ram as prin­ci­pais mito­lo­gias bíbli­cas, e TODOS eles podem ser bai­xa­dos de graça, ou até mesmo comer­ci­a­li­za­dos, des que o nome do autor (Lisan­dro Hubris), seja citado…
      http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=31436&categoria=M
      Sendo que de 15 em 15 dias algum dos meus PDFs será melho­rado, e isso acon­te­cerá por todo o tempo de vida que ainda me resta…
      Por favor, ajude divul­gar os meus E-livros.
      Abra­ços com gratidão!

  • Paulo Ramos 24 de December de 2012, às 14:00 Permalink | Responder
    Etiquetas: Bíblia,   

    Onde Nasceu Jesus? 

    star-of-bethlehem-2

    De entre os qua­tro evan­ge­lhos do Novo Tes­ta­mento, só os evan­ge­lhos de Mateus e Lucas é que incluem nar­ra­ti­vas sobre o nas­ci­mento e ori­gem de Jesus. Mas estas duas nar­ra­ti­vas são incompatíveis.

    O seguinte qua­dro ajuda a com­pa­rar todos os pon­tos das nar­ra­ti­vas sobre o nas­ci­mento e ori­gem de Jesus dos tex­tos de Mateus e Lucas.

     

    Mateus Lucas
    Nome do pai de José Jacob Eli
    Impor­tân­cia de José nos acontecimentos José é o con­du­tor dos acon­te­ci­men­tos, Maria não fala José não fala e tem pouca impor­tân­cia, Maria é protagonista
    Resi­dên­cia antes O texto implica Belém, Judeia Nazaré, Gali­leia
    Anun­ci­a­ção José recebe a men­sa­gem do anjo depois de Maria engravidar. Maria recebe a men­sa­gem do anjo e fica grá­vida antes de Hero­des mor­rer, 4 AEC, o mais tardar.
    Data de nas­ci­mento de Jesus Antes de Hero­des mor­rer, 4 AEC o mais tardar Quando Qui­ri­nius era gover­na­dor da Síria, a par­tir de 6 EC, ou seja, 10 anos depois de Maria ficar grávida.
    Local de nascimento Belém, Judeia Belém, Judeia
    Porquê esse local de nascimento Presume-se que já lá viviam, e por causa de uma profecia. Por causa de um recen­ci­a­mento que obri­gava as pes­soas a deslocarem-se à terra dos seus antepassados.
    Acon­te­ci­men­tos entre o nas­ci­mento e a ida para a Nazaré Magos visi­tam Hero­des; Magos visi­tam a cri­ança;
    Anjo avisa José de perigo; José leva famí­lia para o Egipto; Hero­des ordena o mas­sa­cre das cri­an­ças de Belém.
    Hero­des morre; Anjo avisa José que podem regressar; José e famí­lia regres­sam do Egipto
    Visita dos pas­to­res em Belém
    Em Jerusalém:

    • Aos 8 dias, circuncisão
    • Aos 40 dias, oferta de duas rolas para serem sacri­fi­ca­das no templo.
    Resi­den­cia depois José que­ria regres­sar a Belém, na Judeia, mas rece­ava Arque­lau (filho de Hero­des); por isso e para cum­prir uma pro­fe­cia leva a famí­lia para Nazaré na Galiléia. Retor­nam à sua casa, a Nazaré.

    Para mais detalhes:

    http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2012/10/mateus-jesus-de-onde.html

    http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2012/11/lucas-anunciacao-jesus-de-onde.html

     

     
    • zetor 16 de Abril de 2013, às 17:16 Permalink | Responder

      Caro(s) Amigo(s)

      Penso que, na minha opi­nião, muito mais impor­tante que inter­pre­tar tex­tos bíbli­cos, espe­ci­al­mente os 4 evan­ge­lhos esco­lhi­dos pela igreja, pondo de parte mui­tos outros, os cha­ma­dos apó­cri­fos, seria demons­trar que jesus é ape­nas um per­so­na­gem de fé, e não um per­so­na­gem his­tó­rico. Todas as refe­rên­cias a jesus em tex­tos his­tó­ri­cos foram colo­ca­das lá ” a força” por escri­bas que se admi­ra­vam por tex­tos da época não se refe­ri­rem a jesus, e que mais tarde foram con­si­de­ra­dos total­mente fal­sos e incluí­dos fora da época.

      Assim temos uma per­so­na­gem que pode ser tão fic­ti­cia e absurda como a arca de noé, que curava leproso, res­sus­ci­tava mor­tos (ainda hoje a cien­cia médica tem diver­gên­cias a res­peito do momento da morte) e como era um tipo por­reiro trans­for­mava agua em vinho nos casa­men­tos e mul­ti­pli­cava pães.

      Penso que é impor­tante, pois a maior parte das pes­soas não faz a mínima ideia, des­mis­ti­fi­car essa per­so­na­gem, que pode ou não ter exis­tido, que de cer­teza mila­gres não fez, por­que senão bas­ta­ria lhe pedir e ele faria agora mesmo, espe­ci­al­mente para as cri­an­ças famin­tas que so com um 1 pão sobre­vi­ve­riam, ou fazendo des­cer o maná ou outra coisa assim, sobre os luga­res onde é necessário.

      • Paulo Ramos 22 de Abril de 2013, às 22:15 Permalink | Responder

        Exacto.
        Só muito difi­cil­mente uma per­so­na­gem his­tó­rica terá dado ori­gem ao Jesus Nazareno.

        Se é que exis­tiu tal per­so­na­gem, a sua his­tó­ria pes­soal terá con­tri­buido mui­tís­simo pouco para a nar­ra­tiva dos evangelhos.

        É mais fácil enten­der o Novo Tes­ta­mento tendo em conta um mito-que-fez-se-homem do que a tese do homem-que-fez-se-mito.

        É mais fácil enten­der que o mito é ante­rior à per­so­na­gem humana ou antro­po­morfa de Jesus Nazareno.

        • Daniel 9 de Maio de 2013, às 23:39 Permalink | Responder

          Caro Paulo Ramos

          Na sua opi­nião, exis­tem ele­men­tos docu­men­tais para se afir­mar a exis­tên­cia dos após­to­los de Jesus ou tam­bém foram per­so­na­gens mitificadas ?

          • Paulo Ramos 10 de Maio de 2013, às 22:32 Permalink | Responder

            Boa noite, Daniel,
            alguns dos após­to­los dos evan­ge­lhos podem ter sido cons­truí­dos a par­tir de per­so­na­gens ver­da­dei­ras, mas nem todos.

            Neste artigo faço uma aná­lise sobre o que os após­to­los que Paulo (que tam­bém se iden­ti­fi­cava como após­tolo, mas não figura nos evan­ge­lhos) conhe­cia por volta do ano 50:
            http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2013/05/paulo-quem-eram-os-apostolos.html

            Depois de Paulo, muita lite­ra­tura se criou sobre os após­to­los. Inclu­sive os evan­ge­lhos foram escri­tos mui­tos anos depois de Paulo escre­ver as suas famo­sas cartas.

            Um curi­o­si­dade — Papias de Hie­rá­po­lis, por volta do ano 130, disse sobre Judas:
            “Judas dei­xou um triste exem­plo de impi­e­dade neste mundo; seu corpo inchou de tal forma que ele não con­se­guiu pas­sar por um cami­nho onde uma car­ru­a­gem facil­mente pas­sava, de modo que foi esma­gado pela car­ru­a­gem e suas entra­nhas se derramaram.”

            Os evan­ge­lhos, nome­a­da­mente Mateus, diz que Judas enforcou-se logo a seguir à sua trai­ção.
            Papias sobre Judas

            • Daniel 10 de Maio de 2013, às 22:57 Permalink

              Boa Noite, Paulo

              Grato pela sua res­posta, mas a minha per­ple­xi­dade é a seguinte: se Jesus de Nazaré, segundo a sua pers­pec­tiva, nunca exis­tiu enquanto per­so­na­gem his­tó­rica, por que é que a his­tó­ria regista os nomes dos seus após­to­los, os seus per­cur­sos de vida e a forma como mor­re­ram ? Quanto ao facto de os evan­ge­lhos terem sido escri­tos mui­tos anos depois de Paulo ter redi­gido as suas car­tas, existe uma con­tro­vér­sia sobre os pri­mei­ros a terem sido escri­tos. A mai­o­ria dos aca­dé­mi­cos sus­tenta que foi o Evan­ge­lho de S. Mar­cos, mas outros apon­tam no sen­tido de que foi o Evan­ge­lho dos Hebreus, tam­bém conhe­cido por fonte Q ou Evan­ge­lho dos Ebi­o­nis­tas, escrito em hebraico ou ara­maico. Mas a minha ques­tão fun­da­men­tal é esta: os após­to­los de Jesus Cristo foram todos far­san­tes ? Invo­ca­ram uma per­so­na­gem his­tó­rica ine­xis­tente? E com que lógica divul­ga­ram supos­tos fei­tos, atri­buí­dos a Jesus Cristo, par­tindo do pres­su­posto de que os mes­mos nunca ocor­re­ram ? Tem res­posta para estas questões?

          • Paulo Ramos 10 de Maio de 2013, às 23:30 Permalink | Responder

            Olá, Daniel. Res­pondi ali mais abaixo, por­que o último comen­tá­rio já não tinha opção de resposta.

      • ISAIAS BATISTA 25 de Novembro de 2013, às 19:17 Permalink | Responder

        Meu amigo, CRITO JESUS não é nosso ser­vis­sal, que lhe pedi­mos algo ele corre para fazer.
        É por fé qu alcan­ça­mos o favor de DEUS para nós.E a fé é o ato de você crer no invi­sí­vel como se ele esti­vesse em sua frente.
        Deus pode e quer fazer muito por cada um de nós,porém temos que con­fiar nele incon­di­ci­o­nal­mente e seguir todos os seus mandamentos.

        Tenha cer­teza que Deus tanto existe,que Ele está te obser­vando neste exato momento, e está vendo o quanto você é depen­dente d‘Ele,pois até este ar que você res­pira per­tence a ELE.
        E Ele mesmo vendo suas mise­ria Ele te ama com um amor tão grande,tão incon­di­ci­o­nail, que você na sua pequês não o con­se­gue com­pre­en­der e rejeita ‚pois não acre­dita que há um ser que te ama deste tanto, que enviou seu pro­prio filho para mor­rer por mim e por você.….

        Pense nisso.….….…

    • Paulo Ramos 10 de Maio de 2013, às 23:19 Permalink | Responder

      Viva, Daniel,
      nos anos 40 a 60, Paulo escre­veu mui­tas car­tas a pes­soas que viviam a milha­res de qui­lo­me­tros de Jeru­sa­lém. Pes­soas que viviam em Roma, Gré­cia, Mace­dó­nia, Galá­cia (Turquia).

      Paulo escre­veu nas suas car­tas sobre as reve­la­ções que rece­beu do Filho de Deus, mas:

      • Paulo nunca sugere que esse Filho de Deus tinha estado recen­te­mente em Jerusalém
      • Paulo nunca fala que esse Filho de Deus tenha feito mila­gres, curado doentes
      • Paulo nunca fala que esse Filho de Deus tinha feito mui­tos dis­cur­sos e ensi­nado por parábolas
      • Paulo nunca sequer diz que esse Filho de Deus foi gerado por uma Virgem

      No entanto, depois da morte de Paulo, por volta do ano 70, come­çou a apa­re­cer um género de lite­ra­tura alegórica/metafórica: o Filho de Deus seria repre­sen­tado por um pre­ga­dor da Galiléia.

      Con­se­gue per­ce­ber que isto é pro­va­vel de ter acontecido?

      No seu comen­tá­rio diz “Evan­ge­lho dos Hebreus, tam­bém conhe­cido por fonte Q ou Evan­ge­lho dos Ebi­o­nis­tas”.
      Estes são três tex­tos dis­tin­tos (sendo que o texto Q é um texto hipo­té­tico que nunca foi encontrado).

      • Daniel 11 de Maio de 2013, às 2:44 Permalink | Responder

        Olá Paulo

        Tem razão quanto ao texto Q, é uma fonte hipo­té­tica, reco­nheço o lapso. No entanto, já no que res­peita ao Evan­ge­lho segundo os Hebreus e o Evan­ge­lho dos Ebi­o­nis­tas, há aca­dé­mi­cos que sus­ten­tam tratar-se da mesma fonte. De momento, não estou em con­di­ções de me pro­nun­ciar sobre o que você refere rela­ti­va­mente às car­tas de Paulo, teria que estudá-las aten­ta­mente. Mas seja como for, tomando ape­nas por refe­rên­cia os após­to­los de Jesus Cristo, parece pouco pro­vá­vel que esses homens, cujo per­curso de vida é his­to­ri­ca­mente conhe­cido, tives­sem andado pelo mundo a apre­goar uma mis­ti­fi­ca­ção. Por isso a ques­tão sub­siste: esses após­to­los foram dis­cí­pu­los de quem ? De nin­guém ? de uma mera per­so­na­gem miti­fi­cada ? Quanto aos mila­gres de Cristo, não sei, não estive lá para ver, inde­pen­den­te­mente do que os evan­ge­lhos afir­mem sobre essa matéria.

        • Paulo Ramos 11 de Maio de 2013, às 23:21 Permalink | Responder

          O per­curso his­tó­rico dos após­to­los dos evan­ge­lhos não tem grande suporte. his­tó­ria do cris­ti­a­nismo foi cri­ada e man­tida por… cris­tãos, a come­çar por Eusé­bio no século IV.

          Paulo, por volta do ano 50, fala de reve­la­ções que teve do Filho de Deus.

          A expe­ri­ên­cia que ele conta é como uma expe­ri­ên­cia de visão mís­tica em que o Filho de Deus lhe con­tou o que estava para acon­te­cer bre­ve­mente (o Cristo viria bre­ve­mente para levar os cren­tes para o céu).
          Em 1 Cor 15, ele diz que foi o último a rece­ber as reve­la­ções. Em Actos é dito que Paulo viu umas luzes.

          Paulo tam­bém diz que Cristo apa­re­ceu pri­meiro a Cefas (mas os evan­ge­lhos dizem que Jesus apa­re­ceu pri­meiro a Maria Mada­lena).
          Para além disto, nada do que Paulo diz indica que este Cefas teve uma visão de Cristo dife­rente da sua pró­pria visão — umas luzes e umas revelações.

          http://quem-escreveu-torto.blogspot.pt/2013/04/paulo-quem-apareceu-cristo-aos-corintios.html

          Para con­cluír, Paulo fala de mui­tos após­to­los cujos nomes não são men­ci­o­na­dos nos evan­ge­lhos (Apolo, Andró­nico, Junias).

          Quem os esco­lheu ou nomeou? Bas­ta­ria con­ven­cer de que fala­ram com Deus ou com o Filho de Deus e que tinham infor­ma­ções impor­tan­tes e urgen­tes para divul­gar para quem qui­sesse crer.

          • ISAIAS BATISTA 25 de Novembro de 2013, às 20:10 Permalink | Responder

            Meu caro filósofo,seus estu­dos são até interessantes,porém sem uma inter­pre­ta­ção dada pelo ESPIRITO SANTO são ape­nas, pala­vras escri­tas sobre a areia do mar; que se escreve,porém a onda vem e passa por cima dela e quando a onda volta para o mar tudo o que tinha sido escrito foi apa­gado mais rapido do que o tempo que levou para escrevê-la.

            Essa sua forma de estudo seria como se você pulasse de um avião a 4.000 pés de altura, porém sem para-quedas.

            Cui­dado filo­so­fias demais acaba dete­ri­o­rando a mente de quem as lê…
            A biblia é um livro per­feito em seus rela­tos ‚nós que mui­tas vezes não enten­de­mos o que lemos.Neste caso aca­bam falando do que não se sabe. neste caso como você…

  • Helder Sanches 19 de December de 2012, às 1:42 Permalink | Responder
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    O doce envenenado da religião 

    A reli­gião é como um doce enve­ne­nado. É como um doce por­que faz muita gente sentir-se bem; é enve­ne­nado por­que o bem que faz a esses esconde um mal enorme que faz ao colec­tivo, tanto dos que crêem como dos que não crêem.

    Crer sem razões para tal é deso­nesto. Ter fé não é uma razão; é uma des­culpa para viver e dei­xar viver em desonestidade.

    Todos nós temos a res­pon­sa­bi­li­dade de con­tri­buir para que esta soci­e­dade em que vive­mos, este mundo em que vive­mos, seja melhor após a nossa pas­sa­gem por ele. O patro­cí­nio de cren­di­ces, sejam elas de que tipo forem, mesmo quando reche­ado das melho­res inten­ções, é sem­pre um con­tri­buto para que con­ti­nu­e­mos a viver num mundo de igno­rân­cia, onde acre­di­tar no que nos (even­tu­al­mente) con­forta sem um exer­cí­cio de dúvida é como o pas­sar de um livre con­duto à aldra­bice e à isen­ção de responsabilidades.

    Os cren­tes dei­xam essa marca no mundo em que vive­mos e, natu­ral­mente, dei­xam essa marca nas suas pró­prias expe­ri­ên­cias de vida. E naque­les que os rodeiam, obvi­a­mente. Que argu­mento terá um crente para não gos­tar de ser enga­nado por outros indi­ví­duos se a men­sa­gem que trans­mite para a soci­e­dade em geral é a de que ele pró­prio pre­fere enganar-se a si mesmo? Mais, de onde vem a legi­ti­mi­dade para recla­mar que não o devem enganar?

    Quando apre­go­a­mos a bom som as nos­sas cren­ças é bom que as sai­ba­mos sus­ten­tar de forma raci­o­nal e per­cep­tí­vel. A fé não satis­faz nenhum dos requi­si­tos, natu­ral­mente. Con­tudo, sem­pre que o fazem de forma deso­nesta, o veneno alastra-se pela soci­e­dade, qual doença incu­rá­vel e epidémica.

     
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