Actualizações de Agosto, 2013 Mostrar/esconder comentários | Atalhos de teclado

  • Helder Sanches 2 de August de 2013, às 12:24 Permalink | Responder
    Etiquetas: carl sagan, daniel dennett, sam harris   

    Ateísmo para iniciados 

    sagan01Neste vídeo, alguns dos mais caris­má­ti­cos, popu­la­res e con­cei­tu­a­dos cien­tis­tas e filó­so­fos con­tri­buem com algu­mas das ideias que sus­ten­tam a maior parte das dis­cus­sões sobre ateísmo nos tem­pos que cor­rem.

     
  • Helder Sanches 27 de July de 2013, às 18:53 Permalink | Responder
    Etiquetas: , newsletter   

    Vem aí a newsletter 

    newsBre­ve­mente, o ateu.pt irá lan­çar uma news­let­ter sobre ateísmo, com as notí­cias e os des­ta­ques essen­ci­ais do que vai acon­te­cendo em Por­tu­gal e no mundo que seja de inte­resse para todos os ateus.

    Na barra late­ral direita encontra-se já dis­po­ní­vel o for­mu­lá­rio onde poderá intro­du­zir o seu email para rece­ber desde o iní­cio esta news­let­ter. Tam­bém junto à caixa de comen­tá­rios passa, a par­tir de hoje, a exis­tir um check-box para quem qui­ser subs­cre­ver a news­let­ter em simul­tâ­neo com o envio de um comentário.

    A data da pri­meira news­let­ter está agen­dada para iní­cio de Setem­bro e prevê-se uma peri­o­di­ci­dade mensal.

     
  • Helder Sanches 25 de July de 2013, às 14:12 Permalink | Responder
    Etiquetas:   

    Arquivos do Portal Ateu disponíveis online 

    logo2009-ver2A par­tir de hoje, encontra-se dis­po­ní­vel online um arquivo fun­ci­o­nal do Por­tal Ateu, assim como se encon­tra activo o reen­ca­mi­nha­mento da url portalateu.com para o mesmo. Este arquivo é par­cial, con­tendo todos os arti­gos e comen­tá­rios até ao dia 5 de Setem­bro de 2011, data da última cópia de segu­rança disponível.

    O ende­reço do arquivo do por­tal Ateu é http://portal.ateu.pt.

     
  • Helder Sanches 19 de July de 2013, às 10:53 Permalink | Responder
    Etiquetas: acção, , fátima, , podcast   

    Ateísmo depois das férias 

    No pas­sado dia 13 de Julho, realizou-se um almoço de con­fra­ter­ni­za­ção de ateus onde esti­ve­ram pre­sen­tes alguns dos cola­bo­ra­do­res deste site. Debateu-se o estado do ateísmo em geral e estabeleceram-se uma série de prin­cí­pios para acções a tomar num futuro pró­ximo, acções essas que terão o apoio e a divul­ga­ção do ateu.pt, mas que não se pre­ten­dem exclu­si­vas dos cola­bo­ra­do­res do mesmo, ten­tando tra­zer para a acção outros ateus, quer se tra­tem de lei­to­res, comen­ta­do­res ou ami­gos deste projecto.

    Algu­mas das ideias que foram colo­ca­das a deba­tem, foram:

    • Pro­du­ção regu­lar de um pod­cast sobre ateísmo em português
    • Acções de divul­ga­ção e pro­vo­ca­ção inte­lec­tual junto da popu­la­ção reli­gi­osa, nome­a­da­mente junto aos tem­plos reli­gi­o­sos das mais diver­sas organizações
    • Pro­du­ção de um docu­men­tá­rio em vídeo sobre Fátima e os cren­tes que visi­tam aquele local
    • Alar­gar o tipo de con­teú­dos do ateu.pt, pas­sando a incluir notí­cias e sec­ções dedi­ca­das à expo­si­ção e cri­tica do pen­sa­mento mágico e pseudo-científico
    • Refor­çar o número de cola­bo­ra­do­res resi­den­tes do ateu.pt de forma a garan­tir uma maior regu­la­ri­dade na colo­ca­ção de novos artigos.

    Ficou defi­nido que o “arre­ga­çar de man­gas” teria lugar a par­tir de Setem­bro, permitindo-nos durante este período de Verão apro­fun­dar estas pro­pos­tas e pen­sar nou­tras que pos­sam ser rea­li­za­das num futuro pró­ximo. Nesse sen­tido, soli­ci­ta­mos a todos os nos­sos lei­to­res que nos dei­xem as suas suges­tões para poder­mos todos, em con­junto, con­tri­buir para uma melhor divul­ga­ção do ateísmo.

    Obri­gado.

     
    • Nilson de Simas 22 de Julho de 2013, às 12:50 Permalink | Responder

      Con­ta­dor, prós gra­du­ado em gerên­cia con­tá­bil e audi­to­ria, casado a trinta anos com a mesma mulher, dois filhos, boa situ­a­ção econômica/financeira, ex reli­gi­oso por dou­tri­na­ção e atual ateu por convicção.….….tal qual os cren­tes, faz o seguinte depoimento:

      A liber­dade da escra­vi­dão apri­si­o­nante da reli­gião e a fuga do obs­cu­ran­tismo infer­nal da ignorância.….….…TÊM OPERADO MARAVILHAS EM MINHA VIDA

    • Helder Sanches 22 de Julho de 2013, às 21:23 Permalink | Responder

      Nil­son, obri­gado pelo tes­te­mu­nho. Abraço!

  • Helder Sanches 1 de July de 2013, às 15:00 Permalink | Responder
    Etiquetas: almoço, lisboa, social   

    2º Almoço Ateísta do Vox 

    Irá realizar-se no pró­ximo dia 13 de Julho o segundo almoço ateísta do Vox Café. O evento está a ser orga­ni­zado atra­vés do Facebook.

    Após o almoço, os par­ti­ci­pan­tes que assim o dese­ja­rem pode­rão fazer comu­ni­ca­ções para discussão.

    Facebook-Covers-007

     
  • Lúcio Mateus 24 de March de 2013, às 18:52 Permalink | Responder  

    Fundamentalismo Ateu 

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    Lúcio Mateus

    Faz hoje uma semana que me sen­tei pela pri­meira vez a escre­ver um artigo para afi­xar na porta desta humilde mas aco­lhe­dora alber­ga­ria do pere­grino ateísta. Um artigo que cul­mi­nou na con­clu­são de que o ateísmo é neces­sa­ri­a­mente uma forma de fun­da­men­ta­lismo. O texto em si, como no seu corpo se lê, nas­ceu de uma refle­xão des­po­le­tada por uma afir­ma­ção que ao gal­gar o muro dos meus den­tes incen­ti­vou outras mais indo­len­te­mente encos­ta­das às pare­des inter­nas do meu crâ­nio a revoltarem-se e a faze­rem o mesmo quando a notí­cia da fuga entrou pelos ouvi­dos. Para quem não leu, refiro-me à afir­ma­ção de que ‘é impos­sí­vel converter-me’, que lar­gada a mon­tante do sereno fluxo raci­o­nal vem a des­cer deva­ga­ri­nho até à foz do fun­da­men­ta­lismo ateísta que referi no início.

    Acon­tece que essa mesma con­clu­são deixou-me com um sen­ti­mento de insa­tis­fa­ção inte­lec­tual não muito dife­rente do que me foi dei­xado pela afir­ma­ção ori­gi­nal. “Fun­da­men­ta­lismo” é uma pala­vra com um cadas­tro impres­si­o­nante e não me parece justo incluir “ateísmo” no número dos seus cúm­pli­ces sem fazer um inqué­rito rigo­roso pri­meiro, quanto mais não seja por­que enquanto ateu é tam­bém o meu bom nome que está em causa. As linhas que se seguem são o rela­tó­rio desse inqué­rito que fui desen­vol­vendo aos pou­cos ao longo desta semana, nos meus cur­tos mas pre­ci­o­sos momen­tos de filo­so­fia dos tem­pos livres (passe o pleonasmo).

    É pos­sí­vel acreditar-se em algo que seja ver­dade por bons e por maus moti­vos. Se alguém acre­di­tar na teo­ria heli­o­cên­trica ape­nas só por­que a ouviu do seu pai que nunca se engana a res­peito de nada, essa pes­soa não dei­xará de estar certa, mas estará certa pelos moti­vos erra­dos. Porém, do ponto de vista prá­tico não haverá dife­rença alguma, e por esse motivo difi­cil­mente alguém estará dis­posto a per­der o seu tempo a ten­tar suprir um tal indi­ví­duo com os fun­da­men­tos teó­ri­cos cor­rec­tos para a sua crença. Esse tempo seria melhor des­pen­dido a explicar-lhe que a auto­ri­dade pater­nal não é uma fonte de infor­ma­ção segura acerca de astro­no­mia, ou a ensi­nar a teo­ria heli­o­cên­trica a quem ainda não a conheça ou a veja com des­con­fi­ança, por exemplo.

    Os teís­tas sofis­ti­ca­dos ten­dem a defen­der uma ver­são deste argu­mento em rela­ção à crença na exis­tên­cia de Deus, que obvi­a­mente con­si­de­ram um facto tão esta­be­le­cido quanto o heli­o­cen­trismo. É claro que reco­nhe­cem que quem crê em Deus ape­nas por­que foi bap­ti­zado e fez a cate­quese com­pul­si­va­mente, ou por­que toda a gente na sua comu­ni­dade acre­dita, ou por­que uma vez rezou à Nossa Senhora para que vol­tasse a luz depois da tro­vo­ada e fun­ci­o­nou, tem uma fé super­fi­cial por­que nunca foi tema­ti­zada pela Razão. Mas em ter­mos prá­ti­cos tanto faz por­que em geral os fiéis igno­ran­tes no sen­tido que agora referi (que são a esma­ga­dora mai­o­ria) vivem de acordo com os pre­cei­tos morais da reli­gião que pro­fes­sam e isso é que inte­ressa, ainda que muito pouco sai­bam sobre os seus fun­da­men­tos, quer por não terem inte­resse em saber, quer por serem dema­si­ado limi­ta­dos inte­lec­tu­al­mente para com­pre­en­de­rem sub­ti­le­zas teo­ló­gi­cas. Ou seja, este vasto con­junto de pes­soas age na mai­o­ria dos dias den­tro dos limi­tes da mora­li­dade por medo da ira divina e não por pro­cu­rar ali­nhar a sua von­tade com a de Deus (ao que cor­res­pon­de­ria a ati­tude reli­gi­osa ética). Pouco importa. O que inte­ressa é que quem teme as pra­gas divi­nas geral­mente não se torna uma. É essa a grande van­ta­gem da crença numa moral objec­tiva e numa jus­tiça infa­lí­vel de ori­gem divina: torna pos­sí­vel man­ter repri­mi­das as pul­sões atá­vi­cas dos mais fra­cos de espí­rito que de outro modo não hesi­ta­riam em per­pe­trar toda a espé­cie de acção abo­mi­ná­vel. Ou pelo menos assim dizem alguns religiosos.

    Num debate con­tra o Sam Har­ris, o Wil­liam Lane Craig defen­deu esta posi­ção como um ponto a favor da reli­gião. Inde­pen­den­te­mente da exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de Deus, argu­men­tou ele, a reli­gião tem a uti­li­dade prá­tica de com­pe­lir aque­les indi­ví­duos mais igno­ran­tes que de outro modo pode­riam ser pro­pen­sos à vio­lên­cia des­bra­gada a obe­de­ce­rem àque­las regras morais bási­cas sem as quais a vivên­cia comu­ni­tá­ria seria insus­ten­tá­vel. Ou seja, se nes­sas pes­soas (i.e. na maior fatia da Huma­ni­dade) não tivesse sido incul­cada desde cedo a crença numa auto­ri­dade suprema que os observa a todo o ins­tante e tives­sem sido aban­do­na­dos ao ateísmo, a soci­e­dade glo­bal pro­va­vel­mente rui­ria em pouco tempo. Nou­tros ter­mos, a reli­gião não pode dar a este tipo de pes­soa a pro­pen­são íntima para cami­nhar rec­ti­li­ne­a­mente na via moral que só pode advir pela fé genuína tem­pe­rada pela Razão, mas depondo-as num cor­re­dor nor­ma­tivo ima­gi­ná­rio acaba por pro­du­zir o mesmo efeito prá­tico. Com isto em mente, ainda que os ateus este­jam cer­tos e Deus não exista, o seu desejo de pro­pa­gar o ateísmo por todo o mundo, caso fosse bem-sucedido, pode­ria resul­tar no colapso da civi­li­za­ção. A con­sequên­cia lógica deste raci­o­cí­nio é que o fun­da­men­ta­lismo ateísta, em teo­ria ainda que não na prá­tica, é muito mais peri­goso do que o teísta.

    Claro, o lado nega­tivo de toda a crença impér­via a qual­quer forma de escru­tí­nio raci­o­nal que possa pôr em causa o menor dos seus prin­cí­pios é que tem neces­sa­ri­a­mente de ficar anqui­lo­sada no fun­da­men­ta­lismo, e o fun­da­men­ta­lismo, como bem sabe­mos, por vezes pro­duz um curto-circuito. Quando acon­tece, leva o crente igno­rante a girar sobre os cal­ca­nha­res, a inver­ter a direc­ção den­tro do seu cor­re­dor nor­ma­tivo ima­gi­ná­rio e a avan­çar no sen­tido oposto, de tal modo que começa a agir imo­ral­mente na con­vic­ção de que está a agir moral­mente (i.e. a evi­tar a ira divina e a mere­cer a recom­pensa da feli­ci­dade eterna). Note-se que estes fun­da­men­ta­lis­tas não o são menos do que qual­quer outro crente que como eles creia em Deus pelos “moti­vos erra­dos”, mas neste caso a crença deve ser com­ba­tida por­que tem um efeito prá­tico per­ni­ci­oso – nome­a­da­mente a morte de milha­res de pes­soas em aten­ta­dos, con­de­na­ções à pena máxima em Esta­dos teo­crá­ti­cos, homi­cí­dios moti­va­dos pela ten­ta­tiva de pur­gar ou punir algum pecado come­tido por outrem e outras coi­sas igual­mente desagradáveis.

    Os ateus nunca se can­sa­rão de apon­tar a vio­lên­cia ori­gi­nada pelo fun­da­men­ta­lismo reli­gi­oso como o mais nefasto efeito do teísmo. A defesa dos cren­tes tipi­ca­mente assume a forma de um de dois argu­men­tos, ou ambos. Em pri­meiro lugar, o argu­mento de que a vio­lên­cia moti­vada pela reli­gião é, tal como referi, um curto-circuito da fé. A crença em Deus ten­den­ci­al­mente pro­duz um efeito social benigno – repita-se, ainda que se creia em Deus pelos moti­vos erra­dos. Este ponto é facil­mente com­pro­vado pelo facto ine­gá­vel de a vasta mai­o­ria dos cren­tes ser gente pací­fica. Logo, tomar um con­junto de casos iso­la­dos como medida para jul­gar o todo é um passo irra­ci­o­nal indigno de quem diz defen­der a raci­o­na­li­dade acima de tudo, como por exem­plo os ateus. É certo que esses casos iso­la­dos quando bem con­ta­dos per­fa­zem um número assus­ta­dor mas con­si­de­rado no con­texto do con­junto total dos cren­tes acaba por não ser sig­ni­fi­ca­tivo do ponto de vista estatístico.

    Que a reli­gião não gera pes­soas mali­ci­o­sas por sis­tema é uma evi­dên­cia demons­trada pelo sim­ples facto de ainda haver civi­li­za­ção. Em vista da per­cen­ta­gem da popu­la­ção mun­dial que é reli­gi­osa, parece óbvio que se fos­sem todos maus por serem reli­gi­o­sos tería­mos sido há muito erra­di­ca­dos da face do pla­neta pela nossa pró­pria mão. A enorme quan­ti­dade de cren­tes igno­ran­tes que existe torna ine­vi­tá­vel a ocor­rên­cia do oca­si­o­nal curto-circuito fun­da­men­ta­lista, decerto, mas esse mal menor não nos deve des­viar a aten­ção do bem maior que uma crença gene­ra­li­zada em Deus pro­duz, que nada menos é do que a pos­si­bi­li­dade de a estru­tura social em regiões pouco desen­vol­vi­das civi­li­za­ci­o­nal­mente se man­ter rela­ti­va­mente coesa ainda que mui­tos dos indi­ví­duos que a inte­gram não sejam intrin­se­ca­mente bons. Nada direi em con­trá­rio deste argu­mento por agora mas como se verá, a con­clu­são deste artigo será a sua resposta.

    O segundo argu­mento reli­gi­oso típico a con­si­de­rar é o de que o ateísmo tam­bém não está isento de seme­lhan­tes curto-circuitos fun­da­men­ta­lis­tas, e com con­sequên­cias não menos nefas­tas. É neste ponto que sem falha entram no debate em igno­mi­ni­osa pro­cis­são os nomes de Hitler, Esta­line e de outros tan­tos dita­do­res fas­cis­tas. Não faço ten­ções de repe­tir aqui as tré­pli­cas ateís­tas do cos­tume: “Hitler não era ateu”, “o fas­cismo é uma ver­são adul­te­rada da reli­gião”, “Esta­line era ateu mas não come­teu os cri­mes que come­teu em nome do ateísmo”, etc. Todos são contra-argumentos legí­ti­mos mas há aqui um outro ponto que penso ter pas­sado des­per­ce­bido no debate e que tem de ser posto em foco. Refiro-me à ine­gá­vel assi­me­tria qua­li­ta­tiva entre os fun­da­men­ta­lis­mos ateísta e teísta, que tende a ser dis­far­çada pela sime­tria quan­ti­ta­tiva no que res­peita ao número e vari­e­dade de atro­ci­da­des resul­tan­tes de ambos. O que quero dizer com isto é que ao mesmo tempo que os reli­gi­o­sos “sofis­ti­ca­dos” se demar­cam dos cren­tes fun­da­men­ta­lis­tas por­que estes últi­mos são em geral indi­ví­duos igno­ran­tes (não ape­nas em ter­mos aca­dé­mi­cos mas acerca do mundo, da mora­li­dade, do que é ver­da­dei­ra­mente Deus, etc.), pare­cem que­rer dar a enten­der que o fun­da­men­ta­lista ateísta típico é um dita­dor de uma super­po­tên­cia polí­tica, eco­nó­mica e mili­tar. Não pode ser negado que há aqui uma assimetria.

    As per­gun­tas que coloco, por­tanto, são estas: onde estão os curto-circuitos dos fun­da­men­ta­lis­tas ateus igno­ran­tes? Tam­bém os há, segu­ra­mente. E se a grande van­ta­gem da reli­gião que legi­tima o desejo da sua pro­pa­ga­ção inde­pen­den­te­mente da exis­tên­cia de Deus é o código de con­duta que impõe aos “bár­ba­ros” por via de uma auto­ri­dade jus­ti­ceira invi­sí­vel, onde estão os casos conhe­ci­dos de cri­mes come­ti­dos por aque­les que se mos­tra­ram imu­nes a esse código, e que os come­te­ram por se assu­mi­rem como imu­nes a esse código? Ou será que para se ser um ateu imo­ral é pre­ciso pri­meiro ascender-se à posi­ção de líder auto­crá­tico de uma nação? Onde estão, afi­nal, os ateus “bár­ba­ros” violentos?

    Tal como é pos­sí­vel do ponto de vista de um crente sofis­ti­cado ser-se crente pelos moti­vos erra­dos, tam­bém é pos­sí­vel para um ateu sofis­ti­cado reco­nhe­cer certo tipo de ateísmo como defi­ci­ente na sua moti­va­ção. Posso dizer que conheço vários ateus “erra­dos”. São aque­les que são ateus por odi­a­rem a reli­gião, e geral­mente o Cato­li­cismo em par­ti­cu­lar. Isto pode acon­te­cer pelas mais vari­a­das razões. Alguns foram for­ça­dos a assis­tir à missa todas as sema­nas quando eram miú­dos e detes­ta­ram aquilo de tal modo que esse ódio à missa se tor­nou pre­missa para con­cluir o ódio à reli­gião como um todo. Outros par­tem do hor­ror dos cri­mes come­ti­dos ao longo da his­tó­ria e na actu­a­li­dade pelos supos­tos repre­sen­tan­tes de Deus na terra para a con­clu­são iló­gica da ine­xis­tên­cia de Deus. Outros ainda eram cató­li­cos mas como per­de­ram alguém pró­ximo de forma trá­gica convenceram-se de que foram enga­na­dos pela reli­gião por­que se aquilo que o padre dizia sobre Deus fosse ver­dade, essa pes­soa ou pes­soas não teriam mor­rido como mor­re­ram. Outros ainda, vários outros, foram víti­mas de abuso sexual por mem­bros do clero.

    Nenhum dos moti­vos supra­ci­ta­dos cons­ti­tui razão válida para se ser ateu por­que nenhum deles se baseia no pen­sa­mento raci­o­nal sobre Deus e sim numa reac­ção emo­ci­o­nal de algum modo ligada à reli­gião; em espe­cí­fico à reli­gião em par­ti­cu­lar que por um ou outro motivo dei­xou pior impres­são no indi­ví­duo em ques­tão. Estes ateus são tão fun­da­men­ta­lis­tas no seu ateísmo limi­tado quanto o é um fun­da­men­ta­lista reli­gi­oso na sua fé limi­tada. Diria mesmo que alguns des­tes ateus odeiam a reli­gião com a mesma vee­mên­cia com que os outros odeiam o ateísmo.

    Mas então, se assim é, se o ódio e a igno­rân­cia fun­da­men­ta­lista exis­tem de parte a parte, por que razão é neces­sá­rio ascen­der ao topo da pirâ­mide polí­tica de um Estado fas­cista para se encon­trar um ateu de pro­pen­são cri­mi­nosa ale­ga­da­mente por ser ateu? Por­que não se vêem no tele­jor­nal hor­das de ateus igno­ran­tes aos gri­tos na rua a cla­mar por san­gue reli­gi­oso? Vejo mani­fes­ta­ções pací­fi­cas mas não vejo san­gue nem mor­tes. Não pre­tendo que estas sejam per­gun­tas retó­ri­cas. É real­mente impor­tante que sejam respondidas.

    Penso que a expli­ca­ção terá algo a ver com o facto de o fun­da­men­ta­lismo ateísta igno­rante ser sem­pre a reac­ção de um jovem ou adulto con­tra a reli­gião e não o resul­tado de uma dou­tri­na­ção ini­ci­ada na infân­cia. Um fun­da­men­ta­lista reli­gi­oso define toda a sua iden­ti­dade como reli­gi­oso desde cri­ança mas um fun­da­men­ta­lista ateu não. O típico fun­da­men­ta­lista igno­rante ateu é alguém que a dada altura teve de rede­fi­nir a sua iden­ti­dade como alguém que não quer ter nada a ver com a reli­gião na qual foi edu­cado, ou com a qual teve con­tacto for­çado desde cedo, e que o desiludiu.

    Esse ódio ateísta, errado como todo o ódio é, manifesta-se em geral de forma posi­tiva no sen­tido prá­tico pelo afas­ta­mento deli­be­rado de tudo quanto é reli­gi­oso, incluindo as ati­tu­des imo­rais dos fun­da­men­ta­lis­tas reli­gi­o­sos tais como for­çar alguém a agir ou pen­sar de certa maneira. A ten­ta­tiva de pro­pa­gar uma ide­o­lo­gia à força é con­si­de­rada pelo ateu igno­rante como uma das carac­te­rís­ti­cas intrín­se­cas da reli­gião, e como tudo o que à reli­gião diz res­peito, é algo a evi­tar. A reli­gião assim con­si­de­rada como exem­plo de imo­ra­li­dade torna-se, por con­traste, um móbil para a mora­li­dade do ateu igno­rante. E de facto, per­gun­tem a um reli­gi­oso “sofis­ti­cado” se se sen­ti­ria mais seguro na com­pa­nhia de um fun­da­men­ta­lista igno­rante ateu ou de um reli­gi­oso. Outra per­gunta inte­res­sante seria a de quem na sua opi­nião teria uma espe­rança de vida mais longa: um cris­tão entre ateus fun­da­men­ta­lis­tas ou um ateu entre reli­gi­o­sos fun­da­men­ta­lis­tas. Peçam-lhe que jus­ti­fi­que a resposta.

    Não está, pois, demons­trado que tenha­mos de acei­tar o mal do fun­da­men­ta­lismo reli­gi­oso igno­rante a troco da rela­tiva paz que a reli­gião supos­ta­mente pela sua maior parte traz entre os menos civi­li­za­dos de nós. O fun­da­men­ta­lismo ateísta con­se­gue o mesmo sem o incon­ve­ni­ente dos aten­ta­dos, e só por isso merece ser con­si­de­rado melhor do ponto de vista prá­tico, ainda que tão errado quanto o seu con­trá­rio do ponto de vista teórico.

    Dito isto, edu­quem as cri­an­ças desde cedo a des­pre­zar toda a forma de dou­tri­na­ção e dei­xa­re­mos de pre­ci­sar de fun­da­men­ta­lis­mos de qual­quer espé­cie, ateus ou reli­gi­o­sos. Até lá, o ateísmo entre as mas­sas igno­ran­tes é mais do que fun­da­men­ta­lista. É fundamental.

     
  • Lúcio Mateus 18 de March de 2013, às 11:11 Permalink | Responder  

    O Erro do Ateísmo 

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    Lúcio Mateus

    Há momen­tos na vida de todo o ateu que não seja tímido quanto ao seu ateísmo em que o can­saço do debate com cren­tes e da troca inces­sante de argu­men­tos que se suce­dem como res­pon­sos auto­ma­ti­za­dos pesa sobre os ombros como uma cruz já com o Filho do Homem em anexo, sem que ao pobre ateu pros­trado possa valer algum pro­fano Simão de Cirene, por­que pri­meiro have­ria que deba­ter a his­to­ri­ci­dade da exis­tên­cia deste último de modo a legi­ti­mar a metá­fora. Esses são os dias em que tanto faz que Deus exista ou não por­que, seja­mos hones­tos, há coi­sas mais impor­tan­tes no mundo do que a sua origem.

    Nou­tros dias des­pre­za­mos a ati­tude des­crita no pará­grafo ante­rior de tal maneira que até muda­mos de pará­grafo só para evi­tar tão covarde com­pa­nhia. São esses os dias do com­bate, aque­les dias em que não nos impor­ta­mos de vol­tar ao menu de capí­tu­los do ateísmo e repe­tir os argu­men­tos do cos­tume do pri­meiro ao último, e em que per­de­mos tempo a meta­fo­ri­zar com lin­gua­gem da con­tem­po­ra­nei­dade só para evi­tar­mos a Res­sur­rei­ção do que quer que seja, ainda que ape­nas do defunto verbo “rebo­bi­nar”. Nes­ses dias acre­di­ta­mos ser impor­tante rei­te­rar os argu­men­tos uma e outra vez por­que pode ser que uma des­sas vezes seja a pri­meira que alguém os lê ou ouve. São os dias em que nos cruza o espí­rito o espan­toso pen­sa­mento de que todos os dias, incluindo nesse, nasce alguém que não sabe nada disto e que tem de ser edu­cado de raiz.

    E depois, entre uns e outros dias, há os Domin­gos. Escrevo estas linhas num Domingo, sozi­nho num quarto de hotel medi­ano per­dido algu­res num con­ti­nente em que parece só ser ateu quem é estran­geiro. Os Domin­gos são pro­pí­cios à refle­xão, e tal como os cató­li­cos os apro­vei­tam para recon­fir­mar a sua Fé, assim tam­bém os ateus os devem apro­vei­tar para recon­fir­mar o seu cep­ti­cismo. É com os fru­tos dessa auto-análise domin­gueira que inau­guro a minha par­ti­ci­pa­ção neste espaço. É um texto longo, bem sei, mas a posi­ção que pre­tendo defen­der é polé­mica e pode gerar alguma con­fu­são se mal expli­cada, pelo que pre­firo per­der os lei­to­res apres­sa­dos a per­der o res­peito dos restantes.

    Pas­sei por uma fase recen­te­mente em que por algum motivo os dias des­cri­tos no segundo pará­grafo pre­en­che­ram a mai­o­ria do calen­dá­rio. Durante essa fase, em con­versa com um amigo cató­lico, dei por mim a acres­cen­tar a um argu­mento já muito gasto um invul­gar coro­lá­rio: “é abso­lu­ta­mente impos­sí­vel converter-me”.

    A frase soou-me mal logo no momento em que a pro­feri mas como estava a meio de um debate não pen­sei mais nela na altura e concentrei-me em con­ti­nuar a pro­cu­rar nos catá­lo­gos da memó­ria o res­ponso ateu apro­pri­ado ao dis­curso cató­lico que se seguiu ao meu argu­mento. Ter­mi­nada a dia­tribe teo­ló­gica do dia cada um foi para sua casa con­ven­cido exac­ta­mente do mesmo de que estava con­ven­cido na vés­pera. Como pres­senti nesse momento que estava a entrar num daque­les dias de pri­meiro pará­grafo não pen­sei mais no assunto, mas como escre­veu o Bardo, ‘Foul deeds will rise, though all the earth o’erwhelm them to men’s eyes’, e a cons­ci­ên­cia pesada forçou-me a pen­sar no caso.

    Dos tais ateus que não sejam tími­dos quanto ao seu ateísmo não deve haver um único que não tenha ouvido a dada altura o velho argu­mento de que “o ateísmo acaba por ser tam­bém uma forma de fé”. Se a frase tivesse algum fundo de ver­dade e o ateísmo pudesse ser con­si­de­rado reli­gião, levar com este argu­mento seria sem dúvida o seu bap­tismo. É um argu­mento fácil de reba­ter, como se sabe. Há vários res­pon­sos pos­sí­veis mas um dos mais típi­cos con­siste em dizer que o ateu renun­ci­a­ria à sua “fé” de ime­di­ato se Jesus ou qual­quer outra divin­dade deci­disse aparecer-lhe à frente, ao passo que nada faria demo­ver um reli­gi­oso devoto da sua crença. Ergo, ateísmo não é fé.

    Este é um argu­mento comum. Igual­mente comum, por outro lado, é dizer-se na senda do Daw­kins que todos aque­les que afir­mam ter real­mente visto Jesus ou “expe­ri­men­tado” Deus de alguma forma foram víti­mas de alu­ci­na­ção. Usa­mos uma de várias ver­sões desse argu­mento para refu­tar expli­ca­ções sobre­na­tu­rais de fenó­me­nos estra­nhos, como o das piru­e­tas do Sol sobre a Cova da Iria, por exem­plo, ale­ga­da­mente pre­visto pelos pas­to­ri­nhos e tes­te­mu­nhado por milhares.

    Ora, sendo eu um dos uti­li­za­do­res fre­quen­tes desse tipo de argu­mento não pude dei­xar de cons­ta­tar uma con­tra­di­ção no meu raci­o­cí­nio enquanto ateu. Por um lado digo que (1) a minha posi­ção distingue-se de a de um reli­gi­oso por ser fal­si­fi­cá­vel, nome­a­da­mente por via de uma mani­fes­ta­ção “clara e dis­tinta” do sobre­na­tu­ral; e por outro digo que (2) nunca pode haver uma mani­fes­ta­ção clara e dis­tinta do sobre­na­tu­ral por­que a expli­ca­ção de uma tal expe­ri­ên­cia por via da alu­ci­na­ção será sem­pre mais plau­sí­vel, não só por­que não sabe­mos tanto sobre o cére­bro que pos­sa­mos des­car­tar essa hipó­tese em bene­fí­cio de uma que envolva agên­cia divina, mas tam­bém por­que uma expli­ca­ção natu­ral será sem­pre mais ele­gante e eco­nó­mica do que a sobre­na­tu­ral e, logo, pre­fe­rí­vel. A con­clu­são ine­vi­tá­vel, para­fra­se­ando Sto. Agos­ti­nho numa das suas auto-análises, é que (3) o meu ateísmo é fal­si­fi­cá­vel se não me per­gun­ta­rem em que cir­cuns­tân­cias o seria, e se mo per­gun­ta­rem, não o é.

    O único momento em que vi alguém con­fron­tar o Daw­kins direc­ta­mente com esta objec­ção foi neste evento. No minuto 31:10 o men­te­capto com quem ele debate põe na mesa a ques­tão do tipo de prova não cien­tí­fica que pode­ria ainda assim ser con­tado como prova de algo. O Daw­kins admite a exis­tên­cia de tais pro­vas e argu­menta nesse sen­tido. Pouco depois é dada a pala­vra a um mem­bro do público que per­gunta direc­ta­mente ao Daw­kins qual seria a sua reac­ção se Deus um dia deci­disse revelar-se-lhe expli­ci­ta­mente. A res­posta começa por ser brin­ca­lhona mas pouco depois o Daw­kins diz que já pen­sou nisso várias vezes por uma ques­tão de escrú­pulo cien­tí­fico, e que até já dis­cu­tiu o assunto em pro­fun­di­dade com cole­gas. No entanto, no que se segue diz aber­ta­mente que mesmo que se desse uma tal mani­fes­ta­ção pode­ria ainda assim ser con­si­de­rada uma ilu­são. O vídeo parece estar edi­tado nesse ponto mas o pen­sa­mento por detrás da res­posta é patente: qual­quer puta­tiva mani­fes­ta­ção do divino pode e deve ser sem­pre impu­tada a um des­vio da acti­vi­dade cog­ni­tiva nor­mal, pelo que nunca poderá haver pro­vas con­vin­cen­tes da exis­tên­cia de Deus ainda que Ele pusesse o Sol a sal­ti­tar no céu ou fizesse ele­ger um Papa argentino.

    Isto preocupa-me por­que ape­sar de dis­cor­dar do Daw­kins em quase tudo tenho de con­cor­dar com ele neste aspecto, e ao con­cor­dar com ele tenho de admi­tir, por muito que me custe, que a defesa de uma posi­ção de tal modo ina­mo­ví­vel soa a fun­da­men­ta­lismo. É um facto: se Jesus me apa­re­cesse à frente em toda a sua gló­ria, anun­ci­asse ser o filho uni­gé­nito de Deus e sus­ten­tasse essa afir­ma­ção curando-me a esco­li­ose nem assim eu o reco­nhe­ce­ria como tal – não por ter alguma aver­são figa­dal à ideia de Deus (não tenho) mas por con­si­de­rar que mesmo essa mani­fes­ta­ção não seria prova sufi­ci­ente da sua exis­tên­cia visto que teria de eli­mi­nar todas as expli­ca­ções natu­rais pos­sí­veis para o fenó­meno antes de che­gar a essa, o que é impos­sí­vel na ausên­cia de um conhe­ci­mento per­feito do natu­ral. Como é óbvio, a for­ti­ori,o mesmo aplica-se às ques­tões da ori­gem do uni­verso e da vida, à natu­reza da cons­ci­ên­cia, etc.

    Nou­tros ter­mos, a mais raci­o­nal expli­ca­ção sobre­na­tu­ral para o que quer que seja é e será sem­pre ainda assim menos plau­sí­vel do que a mais implau­sí­vel e irra­ci­o­nal expli­ca­ção natu­ral. É evi­dente que assim é visto que raci­o­nal­mente somos for­ça­dos a impu­tar o inex­pli­cá­vel e o irra­ci­o­nal às nos­sas limi­ta­ções antes de tran­subs­tan­ci­ar­mos a igno­rân­cia que delas decorre em conhe­ci­mento sobre o sobre­na­tu­ral. Admi­tir que a expli­ca­ção sobre­na­tu­ral para um fenó­meno mis­te­ri­oso é a mais plau­sí­vel de todas implica admi­tir que ape­nas pela força da Razão con­se­gui­mos inva­li­dar por com­pleto todas as expli­ca­ções natu­rais alter­na­ti­vas. Ora, ape­nas numa cir­cuns­tân­cia seria legí­timo admi­tir essa pos­si­bi­li­dade: se a Razão tivesse uma ori­gem sobre­na­tu­ral. Uma vez que é pre­ci­sa­mente isso que está em causa, resta-nos admi­tir que não basta ter-se Razão para se ter razão. Ou seja, o limite do raci­o­nal não é o do sobre­na­tu­ral, é o do irra­ci­o­nal – e raci­o­nal­mente nada impede que o irra­ci­o­nal seja, ainda assim, natural.

    Nesta pers­pec­tiva, parece haver ape­nas uma forma de evi­tar o epí­teto de ateu fun­da­men­ta­lista, que é o de acei­tar o de agnós­tico. O ateísmo enquanto posi­ção de que “não creio em Deus nem no sobre­na­tu­ral em geral por­que não há razões para crer na sua exis­tên­cia” contradiz-se por ser uma posi­ção que não admite a pos­si­bi­li­dade de exis­ti­rem tais razões. Ou seja, o mais desa­ver­go­nhado dos deu­ses não con­se­gui­ria ainda assim per­su­a­dir um ateu con­victo de que não se tra­tava de uma alu­ci­na­ção, por mais que ten­tasse. Assim sendo, em que se dis­tin­gue do dog­ma­tismo reli­gi­oso per­se­ve­rar na afir­ma­ção de que Deus muito pro­va­vel­mente não existe se não há pos­si­bi­li­dade de haver prova do con­trá­rio? Alguns ateus dirão que não acre­di­tam por­que não houve prova do con­trá­rio até ao momento, mas que estão dis­pos­tos a acei­tar a pos­si­bi­li­dade de haver tais pro­vas. Cui­dado: assim que o fize­rem, se qui­se­rem manter-se coe­ren­tes, terão de assumir-se como agnós­ti­cos a res­peito de todos os mila­gres que não tes­te­mu­nha­ram pes­so­al­mente – mais espe­ci­fi­ca­mente, terão de dei­xar em aberto a pos­si­bi­li­dade de terem sido con­ver­ti­dos na Cova da Iria se lá tives­sem estado e calarem-se acerca de quem lá esteve. E eis-nos regres­sa­dos ao agnosticismo.

    Por tudo isto, na minha opi­nião o con­ceito de ateísmo deve ser repen­sado. O ateísmo, pelos moti­vos atrás des­cri­tos, não é fal­si­fi­cá­vel, tal como o teísmo não é. Assim, mesmo que se assuma como para­digma epis­te­mo­ló­gico e não onto­ló­gico, o ateísmo não esca­pará à acu­sa­ção de uma certa dose de fun­da­men­ta­lismo. Os ateus dizem com frequên­cia que não acre­di­tam em Deus pelo mesmo motivo que não acre­di­tam em uni­cór­nios. É falso. Seria fací­limo provar-se a exis­tên­cia de uni­cór­nios. Sendo uma cri­a­tura física, bas­ta­ria apa­re­cer um. Outras vezes compara-se a crença em Deus à crença no Pai Natal. Esta com­pa­ra­ção é mais ade­quada por­que nenhum ateu acei­ta­ria reco­nhe­cer alguém como “o genuíno Pai Natal” por mais pro­vas que lhe fos­sem dadas, uma vez que a pos­si­bi­li­dade do engano seria sem­pre mais plau­sí­vel do que a alter­na­tiva. Por estes e outros moti­vos o dilema parece ine­vi­tá­vel: ou agnós­tico meta­fí­sico, ou ateu fundamentalista.

    Ora, na ver­dade o dilema não é ine­vi­tá­vel, com uma con­di­ção: a de o ateísmo dei­xar de ser con­si­de­rado uma posi­ção onto­ló­gica ou mesmo epis­te­mo­ló­gica e se assu­mir como a posi­ção reac­tiva que é, ou seja, que deixe de ser a posi­ção segundo a qual é quase certo Deus não existe e se assuma como a posi­ção bem dife­rente de que o teísmo é injus­ti­fi­cá­vel. Segundo esta última pers­pec­tiva, o ateísmo tornar-se-ia algo como um “agnos­ti­cismo mili­tante”, avesso a tudo quanto fosse crença na maior ou menor pro­ba­bi­li­dade da exis­tên­cia ou ine­xis­tên­cia de Deus (por­que não pode haver prova alguma a res­peito de qual­quer das alter­na­ti­vas), mas em espe­cial avesso à crença teísta por ser, por um lado, a que mais dis­tante se encon­tra da única posi­ção epis­te­mo­lo­gi­ca­mente defen­sá­vel que é a do agnos­ti­cismo meta­fí­sico, e por outro, por ser em todos os aspec­tos o mais per­ni­ci­oso dos erros de pensamento.

    Enquanto reac­ção, logo, o objec­tivo último de qual­quer movi­mento ateísta não deve­ria ser o de che­gar­mos a um ponto em que todos negas­sem a exis­tên­cia de Deus, mas em que todos assu­mis­sem que não pode haver conhe­ci­mento algum sobre o que à maior ou menor pro­ba­bi­li­dade da exis­tên­cia do sobre­na­tu­ral con­cerne. Nesse dia utó­pico em que o teísmo se extin­gui­ria por fim extinguir-se-ia tam­bém o ateísmo por se tor­nar des­ne­ces­sá­rio; e uni­dos na cons­ci­ên­cia da nossa igno­rân­cia abso­luta acerca de tudo o que ultra­pas­sasse o uni­verso físico, pode­ría­mos aban­do­nar todos os fun­da­men­ta­lis­mos (a)teístas e come­çar­mos final­mente a preocupar-nos com coi­sas sérias. Não sei quando esse dia che­gará ou sequer se che­gará. O que sei é que muito pro­va­vel­mente será num Domingo.

     
    • mestrini 15 de Abril de 2013, às 10:23 Permalink | Responder

      Boas Lúcio,

      é com grande pra­zer que releio teus tex­tos gran­des e gran­des textos.

      Con­cordo con­tigo no fun­da­men­tal pois um cético e raci­o­nal tem sem­pre que por em cima da mesa a pos­si­bi­li­dade de vir a ser con­fron­tado com a exis­tên­cia de algo que é, a pri­ori, con­si­de­rado impos­sí­vel de acontecer/existir.

      No entanto, nesta sec­ção: “Admi­tir que a expli­ca­ção sobre­na­tu­ral para um fenó­meno mis­te­ri­oso é a mais plau­sí­vel de todas implica admi­tir que ape­nas pela força da Razão con­se­gui­mos inva­li­dar por com­pleto todas as expli­ca­ções natu­rais alter­na­ti­vas.” penso que par­tes do prin­cí­pio, a meu ver, errado de que não existe nada que uma pos­sí­vel divin­dade possa fazer a um ser humano que este não con­siga dis­tin­guir de alu­ci­na­ção.
      Excluir todas as pos­sí­veis mani­fes­ta­ções ape­nas por­que não temos capa­ci­dade de as ima­gi­nar parece-me errado. Vem-me à memó­ria o argu­mento dos mem­bros dos ampu­ta­dos, ou mesmo daque­les que nunca os tive­ram, cres­ce­rem até a um estado fun­ci­o­nal. Mas pode­ría­mos ima­gi­nar outros como aquela cena do Indi­ana Jones e o tem­plo per­dido em que o fei­ti­ceiro saca o cora­ção à vítima de sacrifício.

      Cum­pri­men­tos

  • Helder Sanches 13 de February de 2013, às 13:12 Permalink | Responder
    Etiquetas: , estatística, inquéritos   

    Inquérito para ateus e não-religiosos 

    reno-aai

    A AAI (Atheist Alli­ance Inter­na­ti­o­nal) está a cola­bo­rar com um estu­dante da Uni­ver­si­dade norte-americana do Nevada na ela­bo­ra­ção de um exaus­tivo inqué­rito a ateus e não reli­gi­o­sos. A par­ti­ci­pa­ção é anó­nima e pre­tende conhe­cer melhor as expe­ri­en­cias dos par­ti­ci­pan­tes enquanto ateus e o seu envol­vi­mento com orga­ni­za­ções secu­la­res, bem como expe­ri­ên­cias de des­cri­mi­na­ção cau­sa­das pelo assu­mir ada não crença.

    Caso este­jam inte­res­sa­dos em par­ti­ci­par, o link é o seguinte: http://unrcfr.us.qualtrics.com/SE/?SID=SV_3QlZZFokgDdWBTf

    Dura­ção aprox.: 15/20 minutos

     
  • Helder Sanches 10 de February de 2013, às 13:16 Permalink | Responder
    Etiquetas: internet,   

    Portal Ateu reencaminhado para Ateu.pt 

    No iní­cio de Janeiro, extinguiu-se ofi­ci­al­mente, por deci­são dos seus asso­ci­a­dos em assem­bleia geral extra­or­di­ná­ria, a asso­ci­a­ção PAMAP — Por­tal Ateu Movi­mento Ateísta Por­tu­guês, cujo sítio online se encon­trava em portalateu.com.

    Ficou tam­bém deci­dido na mesma assem­bleia geral que, uma vez extinta a asso­ci­a­ção e estando aquele sítio sem acti­vi­dade desde Outu­bro pas­sado, todo o espó­lio dos con­teú­dos fosse colo­cado numa pla­ta­forma gra­tuita (Blog­ger, Word­Press) em for­mato de arquivo morto, ape­nas para consulta.

    Enquanto isso não acon­tece, todos os visi­tan­tes do Por­tal Ateu serão reen­ca­mi­nha­dos para o Ateu.pt, garantindo-se, desta forma, a liga­ção de todos os visi­tan­tes daquele sítio a uma comu­ni­dade ateísta no activo.

    A todos aque­les que nos visi­tam atra­vés do reen­ca­mi­nha­mento do Por­tal Ateu, sejam bem vin­dos e usu­fruam deste espaço que é de e para ateus.

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    • Ricardo Silvestre 11 de Fevereiro de 2013, às 17:52 Permalink | Responder

      Gos­tava de dei­xar aqui o meu desa­grado por esta deci­são, seja quem for que a tenha tomado.

      É curi­oso ver que o Por­tal Ateu, que na opi­nião de alguns que aqui estão como cola­bo­ra­do­res regu­la­res, esteve durante meses “man­chado” pelas pes­soas que lá escre­viam, agora já serve per­fei­ta­mente ali­men­tar de visi­tas este novo sítio.

      E não escapa tam­bém o des­ca­ra­mento de dire­ci­o­nar o “cami­nho” do Por­tal Ateu para este espaço, apro­vei­tando assim, sem qual­quer ver­go­nha, todo a obra que durante anos cer­tas pes­soas cons­trui­ram com tra­ba­lho e dedi­ca­ção, para pro­mo­ver quem nada teve a ver com esse pro­jecto, ou pior, que muito fize­ram para que ele aca­basse da forma como acabou.

      É bem ver­dade que o domí­nio http://www.portalateu.com per­tence ao Hel­der, mas o Por­tal Ateu não devia estar a ser uti­li­zado para pro­mo­ver este sítio e estas pes­soas, enca­po­tado por inten­ções de “comu­ni­dade” e “actividade”.”

    • Helder Sanches 11 de Fevereiro de 2013, às 19:31 Permalink | Responder

      Olá, Ricardo,

      Folgo em saber que te encon­tras bem… como não te vi na assem­bleia geral ordi­ná­ria, nem na assem­bleia geral extra­or­di­ná­ria da PAMAP, local onde se dis­cu­ti­ram e deci­di­ram os últi­mos fôle­gos da asso­ci­a­ção cujo cargo de pre­si­dente da direc­ção foi por ti ocu­pado durante pra­ti­ca­mente todo o tempo útil de vida da mesma, che­guei a pen­sar que te tives­ses afas­tado das lides ateís­tas em defi­ni­tivo. Che­guei a equa­ci­o­nar perguntar-te se assim era no teu blog pes­soal sobre ateísmo, mas como não auto­ri­zas comen­tá­rios, desisti.

      Natu­ral­mente, subs­crevo total­mente o teu direito à indig­na­ção. Ou o de qual­quer outra pes­soa. Até eu me sinto indig­nado, vê lá! Afi­nal, quando eu saí do Por­tal Ateu e me demiti do cargo na direc­ção da PAMAP, dei­xaste bem claro que esta­vam reu­ni­das as con­di­ções para a PAMAP via­jar mais alto e que a equipe que então se cons­truía é que era. Recordas-te do pro­grama da direc­ção que apre­sen­taste em Junho de 2011? Eu recordo-me. Recor­daste de ter atin­gido algum dos objec­ti­vos? Eu, não! Por isso, com­pre­endo a tua indignação.

      Mas, parece-me que, neste caso, a tua indig­na­ção se deve a teres inter­pre­tado mal o texto deste artigo. Repara (lê de novo, se neces­sá­rio), este reen­ca­mi­nha­mento ape­nas estará no ar até que quem de direito resolva colo­car uma cópia dos arti­gos do Por­tal Ateu numa pla­ta­forma gra­tuita. Assim que esse arquivo esti­ver no ar, o reen­ca­mi­nha­mento será acti­vado para lá. Foi isso que ficou deci­dido na assem­bleia geral extra­or­di­ná­ria da PAMAP. Sabe­rias disso se tives­ses estado pre­sente. O des­ca­ra­mento é, por­tanto, todo teu ao igno­ra­res o que está escrito e o que foi deci­dido em assem­bleia geral.

      E, já agora, sem pinga de ver­go­nha é a tua insi­nu­a­ção de que eu ou qual­quer outro ele­mento comum entre este site e o Por­tal Ateu possa ser res­pon­sa­bi­li­zado pela forma que o Por­tal Ateu ter­mi­nou. A única res­pon­sa­bi­li­dade é tua, dada a tua inca­pa­ci­dade de con­se­gui­res aglo­me­rar inte­res­ses e de cati­va­res pes­soas. Não sacu­das a água do capote e faz um exame de cons­ci­ên­cia… és capaz de não gos­tar do que vais encontrar.

      Vai apa­re­cendo e comen­tando… em nome da comunidade.

    • Rui Rodrigues 11 de Fevereiro de 2013, às 21:56 Permalink | Responder

      Ricardo,

      Res­pondo ape­nas por­que serei cer­ta­mente um dos visa­dos desta frase: “na opi­nião de alguns que aqui estão como cola­bo­ra­do­res regulares”.

      Eu tam­bém gos­tava de dei­xar aqui o meu desa­grado pelo teu habito de não refe­ri­res direc­ta­mente as pes­soas. Não fica bem, não é fron­tal, e dá um certo ar de lamuria.

      Posto isto, faço minhas as pala­vras do Hel­der: Não te vi na assem­bleia geral ordi­ná­ria, nem na assem­bleia geral extra­or­di­ná­ria da PAMAP. Teria sido o sitio indi­cado para mos­tra­res o teu desa­grado com todas as deci­sões que enten­des­ses não esta­rem bem.

      Em rela­ção à acu­sa­ção de pro­mo­ção do sitio e das pes­soas, enca­po­tado por inten­ções de “comu­ni­dade”. Esta acu­sa­ção vinda de quem vem, é de uma enorme ironia.

      E já agora, o que é que tens feito pela divul­ga­ção do ateísmo ultimamente?

      Cum­pri­men­tos,

      RR

    • Tito Casquinha 12 de Fevereiro de 2013, às 2:08 Permalink | Responder

      Hél­der

      Quero tam­bém aqui mos­trar o meu desa­grado por esta tua acção ines­pe­rada de reen­ca­mi­nha­mento do domí­nio portalateu.com para este teu novo projeto.

      Per­ten­ceste à Dire­ção da PAMAP, saíste por tua von­tade. Tiveste opi­niões con­trá­rias à da última Dire­ção e nunca te coi­biste de expres­sar o teu desa­grado pela linha edi­to­rial do PA, como é teu direito de asso­ci­ado e de cida­dão inte­res­sado na temá­tica — fair enough. Reen­ca­mi­nhar o acesso ao domí­nio do portalateu.com para ateu.pt é por­tanto hipo­cri­sia. Fazê-lo sem infor­mar o deten­tor do con­teúdo é velha­quice. O facto de nunca teres pas­sado a pro­pri­e­dade do domí­nio (que sem­pre esteve no teu nome pes­soal) para a dire­ção da PAMAP ou sim­ples­mente para o seu web­mas­ter mos­tra pre­me­di­ta­ção. Ale­gar que o “bac­kup” está por fazer, quando o site e todos os seus posts se encon­tra­vam dis­po­ní­veis para con­sulta a todos num alo­ja­mento pago por ainda lar­gos meses é inven­tar um pro­blema que não existe para já.

      Não faço ideia se outros cola­bo­ra­do­res do ateu.pt foram ouvi­dos nesta reen­ca­mi­nha­mento de domí­nio, mas se forem gente de ver­go­nha cer­ta­mente levan­ta­rão obje­ções a esta deci­são pois não que­re­rão par­ti­lhar desta mon­ta­nha de hipo­cri­sia por ela gerada.

      Não lava­rei mais roupa suja em público. Que o blog ateu.pt tire bom pro­veito do trá­fego gerado pelo domí­nio portalateu.pt cujos con­teú­dos foram cri­a­dos por todos os cola­bo­ra­do­res do PA (onde tu tam­bém te incluis, e o Ricardo e outros tan­tos). Boa sorte para o ateu.pt pois é urgente defen­der e pro­mo­ver o ateísmo em português.

      (Se me res­pon­de­rem, tal como fize­ram com o Ricardo, ati­rando com as falhas desta última direc­ção da PAMAP, com a minha ausên­cia na última Assem­bleia Geral e com a minha ausên­cia de posts no PA, con­si­de­ra­rei que estão a fugir ao assunto em causa, que o é do reen­ca­mi­nha­mento do domí­nio portalateu.com)

      Cum­pri­men­tos
      Tito Casquinha

    • Helder Sanches 12 de Fevereiro de 2013, às 11:19 Permalink | Responder

      Tito,

      Sin­ce­ra­mente, já não tenho muita paci­ên­cia para res­pon­der a tanto dis­pa­rate. Mas dou-te o bene­fí­cio da dúvida, uma vez que che­gaste tarde ao Por­tal Ateu e enquanto lá esti­veste nunca te vi a par­ti­ci­par numa reu­nião deci­só­ria e, quer quei­ras, quer não, é aí que se tomam decisões.

      Como não tenho jeito para o dese­nho, vamos a uma story-line.

      O domí­nio foi por mim regis­tado — ainda antes de sequer conhe­cer o Ricardo Sil­ves­tre pes­so­al­mente — em Outu­bro de 2007.

      Em Feve­reiro de 2008, o Por­tal Ateu arran­cou com uma equipa diver­si­fi­cada, dos quais ape­nas o Ricardo per­ma­ne­ceu até Outu­bro de 2012.

      Em Setem­bro de 2009, foi cri­ada a asso­ci­a­ção PAMAP, base­ada na estru­tura do sitio Por­tal Ateu.

      Quando em mea­dos de 2011 eu abdi­quei de cola­bo­rar no sitio Por­tal Ateu e me demiti da Direc­ção da PAMAP, desde logo me dis­po­ni­bi­li­zei para pas­sar o domí­nio para a asso­ci­a­ção, pondo como única con­di­ção que se o mesmo alguma vez viesse a ser cedido/vendido/alienado eu teria sem­pre opção de esco­lha. Esse pro­cesso nunca foi avante por inér­cia da Direc­ção da PAMAP, da qual tu, entre­tanto, pas­saste a fazer parte. Jamais pas­sa­ria os direi­tos do domí­nio Por­tal Ateu sem me pre­ca­ver con­tra a uti­li­za­ção abu­siva do mesmo para apro­vei­ta­mento pes­soal, fosse de quem fosse.

      Em Outu­bro de 2012, o sitio Por­tal Ateu entra em modo banho-maria, que é como quem diz, todos os seus cola­bo­ra­do­res dei­xa­ram de se pre­o­cu­par com o mesmo.

      No iní­cio de Janeiro de 2013 a PAMAP é extinta por deli­be­ra­ção dos sócios em assem­bleia geral extra­or­di­ná­ria, mar­cada para o efeito. Nesse mesmo acto, foi deci­dido que o arquivo dos con­teú­dos seria colo­cado num alo­ja­mento gra­tuito e que deve­ria ser facul­tado uma cópia/backup a todos os que, ao longo des­tes quase cinco anos, cola­bo­ra­ram com o Por­tal Ateu. Assim que esse arquivo morto esteja no ar e as cópias forem dis­po­ni­bi­li­za­das para todos os cola­bo­ra­do­res que pas­sa­ram pelo Por­tal Ateu, este reen­ca­mi­nha­mento passa a ser feito para o novo domínio.

      Por­tanto, caro Tito, gente de ver­go­nha não tenta recons­truir os acon­te­ci­men­tos. Velha­quice é que­rer encon­trar argu­men­tos em cima de rea­li­da­des alter­na­ti­vas e ten­tar bran­quear os acon­te­ci­men­tos que real­mente importam.

      Cum­pri­men­tos

    • Jairo Filipe 13 de Fevereiro de 2013, às 10:27 Permalink | Responder

      Eu não sei quem tem razão, mas todos vocês são gran­des cómicos.

      http://oneoateismoportugues.blogspot.pt/2013/02/smash-para-match-point.html

    • Helder Sanches 13 de Fevereiro de 2013, às 12:44 Permalink | Responder

      Jairo, pá, já eu não me rio do que escre­ves por­que não leio o que escre­ves, des­culpa lá.

    • Helder Sanches 25 de Julho de 2013, às 14:03 Permalink | Responder

      Con­forme expli­cado no texto ini­cial, o reen­ca­mi­nha­mento do Por­tal Ateu pas­sou hoje a ser feito para os arqui­vos do mesmo site. Assim, quem hoje digi­tar portalateu.com irá encon­trar os arqui­vos do mesmo até 5 de Setem­bro de 2011, data da última cópia de segu­rança dis­po­ní­vel, uma vez que a direc­ção demis­si­o­ná­ria (ou quem de direito fosse res­pon­sá­vel pela manu­ten­ção do site) à data da Assem­bleia Geral Extra­or­di­ná­ria que ditou o encer­ra­mento da PAMAP e do Por­tal Ateu não se dig­nou — ainda — a dis­po­ni­bi­li­zar a cópia de segu­rança final, onde cons­ta­riam todos os arti­gos na integra.

  • Paulo Ramos 3 de January de 2013, às 1:34 Permalink | Responder
    Etiquetas: Criacionismo   

    creation

    Cri­a­ci­o­nismo Fundamentalista

    O Antigo Tes­ta­mento diz que foi Deus quem criou as espé­cies ani­mais todas de uma vez, tal como as que exis­tem hoje. Os cri­a­ci­o­nis­tas (tipi­ca­mente fun­da­men­ta­lis­tas cristãos/muçulmanos) acre­di­tam nisto!

    Mas, do mesmo modo, a Bíblia diz que Deus criou as lín­guas todas de uma vez — o epi­só­dio da Torre de Babel. Nin­guém acre­dita nisto, nem os cri­a­ci­o­nis­tas, pois a his­tó­ria das lín­guas está docu­men­tada POR ESCRITO!

    Con­vi­de­mos o cri­a­ci­o­nista a fazer o seguinte raci­o­cí­nio: Há 2000 anos não havia a lin­gua por­tu­guesa nem a lin­gua inglesa, certo?. Como é que apa­re­ceu a pri­meira cri­ança que falou por­tu­guês? e a pri­meira cri­ança que falou inglês?… como é que a cri­ança enten­dia os pais e os amigos?

    Se o cri­a­ci­o­naista raci­o­ci­nar pri­meiro sobre este tema estará pre­pa­rado para raci­o­ci­nar sobre evo­lu­ção e a Ori­gem das Espé­cies… Por outro lado, se não per­ce­ber este assunto, não estará pre­pa­rado para raci­o­ci­nar sobre abso­lu­ta­mente nada.

     

    Cri­a­ci­o­nismo Pseudo-Científico

    Prin­cí­pio Antró­pico — os cri­a­ci­o­nis­tas que aban­do­na­ram a visão fun­da­men­ta­lista viraram-se para a pseudo-ciência, dizendo que o Uni­verso mos­tra sinais de afi­na­ção para a exis­tên­cia Humana — ou seja, o Uni­verso foi pla­ne­ado e pre­pa­rado para a exis­tên­cia Humana.

    Um Uni­verso afi­nado para a exis­tên­cia Humana?

    1. O Uni­verso existe há 13.700.000.000 anos. Os seres huma­nos, na sua forma seme­lhante à actual, só exis­tem há 100.000 anos. O Uni­verso exis­tiu quase todo o tempo sem humanos.

    2. O Uni­verso é com­posto prin­ci­pal­mente de espaço vazio. Os seres huma­nos não sobre­vi­vem no vácuo.

    3. O Uni­verso tem mui­tos milha­res de milhões de galá­xias. Os seres huma­nos só se encon­tram num pequeno pla­neta, que orbita uma média estrela, entre milhões de uma galá­xia mediana…

    4. O pla­neta Terra existe há 4.500.000.000 anos. Os seres huma­nos, na sua forma seme­lhante à actual, só exis­tem há 100.000 anos.

    5. Mais de 70% da super­fí­cie da Terra é coberta por água, mas o ser humano neces­sita de oxi­gé­nio atmos­fé­rico para viver e não con­se­gue res­pi­rar den­tro de água!

    6. A maior parte da super­fí­cie sólida do pla­neta Terra é inós­pita para a vida humana.

    7. A espe­rança média de vida de um ser humano é de pouco mais de oitenta anos.
    Mui­tos seres vivos vivem cen­te­nas de anos. As estre­las “vivem” milha­res de milhões de anos.

     

     
  • Helder Sanches 26 de December de 2012, às 11:58 Permalink | Responder
    Etiquetas: , , censo, internacional   

    Censo ateísta internacional 

    Este é um processo simples a que nenhum ateu se deveria recusar a participar. Participa e faz com que contes.

    Este é um pro­cesso sim­ples a que nenhum ateu se deve­ria recu­sar a par­ti­ci­par. Par­ti­cipa e faz com que contes.

    A Atheist Alli­ance Inter­na­ti­o­nal (AAI) lan­çou a 7 de Dezem­bro de 2012 um censo inter­na­ci­o­nal (Atheist Cen­sus) para afe­rir o número e dis­tri­bui­ção geo­grá­fica dos ateus a nível glo­bal. O objec­tivo deste censo é reco­lher infor­ma­ção que per­mita dar uma ima­gem tão vasta quanto pos­sí­vel do ateísmo, obtendo dados rela­ti­vos à loca­li­za­ção, género, edu­ca­ção e ante­ce­den­tes reli­gi­o­sos (se existirem).

    Esta pode ser uma exce­lente fer­ra­menta para aná­lise da rea­li­dade de cada país. Por isso, é impor­tante que todos os ateus par­ti­ci­pem neste censo e assim con­tri­buam para que se possa fazer uma lei­tura quão real quanto possível.

    De notar que ape­nas 17 horas após o lan­ça­mento do censo, o site foi alvo de um ata­que DoS (Denial of Ser­vice), ficando demons­trado, assim, o incó­modo que esta ini­ci­a­tiva estará a cau­sar sabe-se lá a quem…

    A AAI é uma ali­ança inter­na­ci­o­nal de indi­ví­duos e orga­ni­za­ções ateís­tas e de livre pen­sa­do­res. Podem saber mais sobre esta ali­ança em http://www.atheistalliance.org. Mas, pri­meiro, façam-se con­tar.

     
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