Boas Festas? Feliz Natal? Porque não?

Para muita gente, um ateu cele­brar o Natal pode pare­cer uma aber­ra­ção e, de facto, seria obri­gado a con­cor­dar com tal opi­nião caso a cele­bra­ção do Natal tivesse alguma cono­ta­ção reli­gi­osa. E, para mim, não tem!

O Natal, como para uma grande mai­o­ria de cida­dãos oci­den­tais, repre­senta uma época em que, durante 3 ou 4 dias, nos pode­mos dar ao luxo de dar a devida impor­tân­cia àque­las peque­nas gran­des coi­sas que durante o resto do ano, pelas mais diver­sas razões, opta­mos, cons­ci­ente ou incons­ci­en­te­mente, por minimizar.

Se dese­jar “Boas Fes­tas” ou “Feliz Natal” ao pró­ximo sig­ni­fica dese­jar que ele possa estar bem de saúde, que possa pas­sar uns dias na com­pa­nhia dos que mais ama, que se possa sen­tir amado, que possa ter a cer­teza que os seus filhos são sau­dá­veis e feli­zes ou que se sinta feliz e rea­li­zado, o que pode ter de errado para um ateu dese­jar tais coi­sas ao pró­ximo? Afi­nal, se par­tir­mos de um pres­su­posto – fala­ci­oso, tal­vez – de que um bom ateu é sem­pre um huma­nista, como é que estes dese­jos não se enqua­dram numa pers­pec­tiva humanista?

Por isso, desejo-vos a todos um Feliz Natal, cons­ci­ente que não sou menos ateu por causa disso. O meu Natal, sem Deus, menino Jesus nas palhi­nhas nem missa do galo, é sem­pre – e espero que con­ti­nue a ser – o período de muita paz e tran­qui­li­dade. Espero que seja para todos vós também.

Boas Fes­tas e… Feliz Natal!